MAIRI: Um Festival de Cinema em Conexão com a Amazônia
No mês de março, Belém se tornará o cenário de uma experiência cinematográfica única, marcada pelo desafio às fronteiras estéticas e culturais. A MAIRI – Mostra Internacional de Cinema Transbordante, um festival de cinema independente, chega à capital paraense com uma proposta inovadora, focada na experimentação e na redefinição das narrativas. A programação do evento é totalmente gratuita e aberta ao público.
As exibições ocorrerão nos dias 13 e 14 de março, no Sesc Ver-o-Peso, durante o período conhecido como “Águas Grandes” na Região Norte, quando o inverno amazônico faz com que os rios transbordem e transformem a paisagem urbana. Além das sessões de cinema, o festival contará com encontros formativos que visam fortalecer a formação de público e o desenvolvimento do cinema experimental na região.
Obras que Transbordam o Convencional
A MAIRI, inspirada pela força simbólica das águas da Amazônia, reunirá uma coleção de curtas, médias e longas-metragens que se afastam do convencional, ampliando as percepções e imaginários sobre a realidade. A curadoria, composta exclusivamente por mulheres da Amazônia, selecionou produções de distintas partes do Brasil e do mundo, incluindo filmes da Bolívia, Alemanha e Líbano. Os temas abordados nos filmes incluem território, memória, ecologia e dissidências.
A idealizadora do evento, Xan Marçall, junto com uma equipe de curadoria que inclui a antropóloga Geo Abreu, a atriz Marcione Pará e a roteirista Rayo Machado, busca posicionar Belém como um centro de confluência artística e política, convidando o público a “transbordar junto” e imaginar futuros comuns.
Um Encontro entre Arte e Território
“MAIRI se propõe como um espaço de encontro entre arte, corpo e território, onde o cinema é visto como um gesto poético, político e ambiental,” afirma Xan Marçall. O festival, que é coordenado por mulheres e indivíduos de gênero e sexualidades diversas, visa criar uma conexão entre as narrativas contemporâneas e a ancestralidade indígena.
O termo “MAIRI” remete ao período do Cacicado Marajoara, um importante entreposto comercial localizado às margens do Lago Arari, na Ilha do Marajó. Com um histórico de declínio em torno de 410 d.C., possivelmente devido a desastres climáticos, o nome se ressignifica para reafirmar a memória e a identidade territorial, essencial para a construção da cidade de Belém.
Uma Identidade Visual que Resgata a Memória Indígena
A identidade visual da mostra destaca um jarro marajoara, datado entre 400 a.C. e 1600 d.C., simbolizando o reconhecimento da sabedoria indígena como base cultural da cidade. O festival busca ressaltar o legado ancestral diante dos impactos do colonialismo e os problemas gerados pelo planejamento urbano contemporâneo.
“O cinema transbordante rompe com as normas tradicionais, explorando a interseção entre documental, ficcional e experimental,” explica Marçall. O objetivo é criar uma relação sensível entre o espectador e as narrativas apresentadas, convidando a uma reflexão profunda sobre as experiências humanas e naturais.
Sinopse dos Filmes Convidados
Entre as produções que estarão em exibição, destaca-se “Crónica de una Desdicha Hereditaria”, de Samuel e Josué Arduz, que aborda o legado familiar de um jovem que busca sua identidade. Outra obra importante é “In Praise of Freedom”, de Yango Gonzalez, que explora as diversas interpretações da liberdade por meio de uma jornada pessoal. “Warsha”, dirigido por Dania Bdeir, ilustra a luta de um migrante sírio em busca de sua paixão e liberdade em Beirute, e “Pelas Ondas Lambem-se as Margens”, de Hyndra, analisa a representação do feminino na história do cinema brasileiro através de cartazes icônicos.
Serviço
MAIRI – Mostra Internacional de Cinema Transbordante
Datas: 13 e 14 de março
Local: Sesc Ver-o-Peso, Belém
