Uma Vida Dedicada à Dança e à Educação
Rose Monteiro faleceu na segunda-feira (21), deixando uma marca profunda na dança e na cultura do Pará. Professora, bailarina e produtora cultural, ela foi uma referência incontestável no estado. O sepultamento será nesta quarta-feira (23), no Cemitério Santa Izabel, no bairro do Guamá, em Belém. A causa da morte não foi divulgada.
Embora nascida em Belém, Rose escolheu Tucuruí, no sudeste do Pará, como sua casa por quase três décadas. Essa escolha refletiu sua dedicação à cultura regional e ao desenvolvimento local através da arte.
Entre o Palco e a Academia
Ao longo de sua carreira, Rose Monteiro transitou com maestria entre a prática artística e a pesquisa acadêmica. Mestre em Ciência da Motricidade Humana, especialista em Pedagogia do Movimento Humano e formada em Educação Física pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), ela também foi professora assistente nos cursos de Enfermagem e Educação Física da mesma universidade.
Além do ensino, Rose dedicou-se à pesquisa sobre o movimento humano, ampliando o entendimento da dança como ferramenta educacional e social. Seu trabalho reconhecido internacionalmente a levou a integrar o Conselho Internacional de Dança (CID), ligado à Unesco, ressaltando sua influência além das fronteiras do estado.
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Fonte: rjnoar.com.br
Fomento Cultural e Gestão Pública
Rose Monteiro foi responsável por projetos que levaram a dança para além dos grandes centros urbanos. Em Tucuruí, idealizou e dirigiu iniciativas como o festival Tucuruí em Dança, que realizou 10 edições entre 2007 e 2016, além do Studio de Dança Rose Monteiro e da MultiCorpo Cia de Dança.
Ela também criou a Tucuruí Cia Municipal de Dança e a Cia Parafolclórica Municipal, fortalecendo a cena cultural local. Sua atuação se estendeu à gestão pública, onde ocupou duas vezes o cargo de Diretora Executiva de Cultura de Tucuruí, contribuindo para a formulação de políticas culturais.
A dança como ferramenta de inclusão social
Rose acreditava na democratização da dança e desenvolveu oficinas pedagógicas que introduziam o balé clássico nas escolas públicas, além de utilizar a dança contemporânea como metodologia de ensino. Um destaque de sua trajetória foi a promoção da dança para pessoas com deficiência (PcD), levando essa prática para eventos como o Dança Carajás Festival, em Parauapebas.
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Fonte: ocuiaba.com.br
Seus artigos científicos sobre acessibilidade e diversidade corporal na arte contemporânea refletem seu compromisso com a inclusão e a ampliação de espaços para todos na cena cultural.
Legado nos Palcos e na Cultura Paraense
Como intérprete e coreógrafa, Rose iniciou sua carreira em 1996 com o espetáculo “A Cruz e a Moça”, pela Cia de Arte Farrabamba. Nos anos seguintes, assinou dezenas de produções marcantes no Pará, entre elas “Ligações Perigosas”, “Tribos”, “Minha Terra”, “As Quatro Estações”, “Sábias” e “Plural”.
Rose Monteiro deixa um legado que conecta arte, educação e transformação social. Seu trabalho abriu caminhos para que novas gerações de artistas e pesquisadores possam ocupar os palcos e as salas de aula do Pará, mantendo viva a cultura regional.
