Comunidade Quilombola mobiliza mutirão para reflorestamento
Em Oeiras do Pará, a Comunidade Quilombola de São Bernardo enfrenta os impactos das queimadas no arquipélago do Marajó com uma resposta prática: um mutirão de reflorestamento que une preservação ambiental, segurança alimentar e protagonismo feminino. Nos últimos anos, a região foi duramente afetada pelo fogo, com 859 focos registrados entre 2023 e 2025, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), tornando a recuperação das áreas degradadas uma prioridade urgente.
Na última semana, 15 famílias participaram ativamente do plantio de mil mudas de espécies nativas e frutíferas, como açaí, abacaxi, banana, café e cítricos (limão, laranja e tangerina). A iniciativa, coordenada pelo Observatório do Marajó em parceria com o Coletivo de Mulheres Meninas do Quilombo, visa não apenas recompor a vegetação, mas também fortalecer as práticas agroecológicas e gerar alternativas de renda e autonomia alimentar para os moradores.
Sistemas Agroflorestais como solução sustentável
Ediane Lima, liderança do projeto, destaca os Sistemas Agroflorestais (SAFs) como a estratégia mais eficaz para restaurar o equilíbrio ambiental e garantir a produção diversificada de alimentos. “Os SAFs são soluções baseadas na natureza que mitigam e adaptam os efeitos das mudanças climáticas, promovendo a recuperação de áreas degradadas e a restauração das florestas nativas. Além disso, diferentemente dos monocultivos, esses sistemas permitem a produção de alimentos variados, contribuindo para a segurança alimentar e o aumento da renda das famílias”, explica.
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O mutirão integra um conjunto de ações do Observatório do Marajó focadas em justiça climática, valorização dos territórios tradicionais e construção de alternativas sustentáveis na Amazônia marajoara. A organização, composta por lideranças comunitárias e ativistas socioambientais, defende que as próprias comunidades devem liderar as políticas de enfrentamento à crise climática, valendo-se de seus conhecimentos ancestrais e práticas tradicionais.
Mulheres quilombolas e o impacto econômico do reflorestamento
Dona Jacirene, representante do Coletivo Meninas do Quilombo, reforça o impacto financeiro da iniciativa para as mulheres da comunidade. “O que vamos colher servirá para alimentar as famílias e também para melhorar a renda. Cada mulher se sentirá empoderada ao saber que terá uma colheita própria para vender, garantindo autonomia na compra e venda dos produtos”, afirma.
Valma Teles, diretora executiva do Observatório do Marajó e liderança ribeirinha de Portel, ressalta a importância de ampliar o financiamento público para iniciativas comunitárias. “As comunidades estão na linha de frente da emergência climática, usando conhecimentos tradicionais para propor soluções baseadas na natureza. É fundamental que o Estado direcione recursos para essas ações, e não priorize o agronegócio de grandes latifundiários, que muitas vezes atuam de forma irregular e esvaziam os recursos necessários para a gestão territorial comunitária”, alerta.
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Fonte: gpsbrasilia.com.br
Assim, o mutirão de reflorestamento em São Bernardo representa mais do que uma simples ação ambiental: é uma resposta concreta às mudanças climáticas que impactam diretamente a economia local, a produção de alimentos e a geração de renda, especialmente para mulheres quilombolas que assumem papel central na recuperação e gestão do território.
