Fotografia paraense: uma nova visão sobre Belém
Belém é capturada diariamente por múltiplas lentes, mas uma nova geração de fotógrafos paraenses tem buscado caminhos diferentes para contar a história da cidade. Das periferias aos centros históricos, esses profissionais utilizam a fotografia para registrar territórios, memórias e experiências vividas. Nesta quarta-feira (19), Dia Mundial da Fotografia, o fotógrafo, arte-educador e historiador Matt Sousa compartilha como teve na fotografia, ainda na adolescência, um meio de contar histórias e construir uma ligação com a cidade.
Um olhar crítico que nasce na juventude
Matt conta que aos 14 anos começou a fotografar, encontrando na arte uma forma de superar a sensação imposta pela sociedade de ser uma “pessoa incapaz”. Na faculdade, seu olhar se aprofundou e despertou um incômodo com a forma como Belém sempre foi retratada, quase exclusivamente sob a perspectiva da elite. Foi nesse momento que percebeu que a fotografia poderia ser um instrumento político e de resistência, e não apenas uma expressão estética.
Seu trabalho se volta para o que chama de “história vista das margens”, buscando captar as relações, afetos e encontros que acontecem nos territórios das pessoas que vivem na cidade. Para ele, a fotografia compartilhada cria uma conexão verdadeira com quem está diante da câmera, transformando os lugares em espaços de convivência, memória e troca.
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Fonte: agendapublica.com.br
Além disso, Matt destaca o desafio da falta de acessibilidade em Belém, que impacta não só o processo de fotografar como também sua relação com os espaços urbanos. Ele explica que suas imagens carregam essa mensagem: um registro afetivo e político feito por um corpo com deficiência em lugares que não foram pensados para ele. O objetivo é que essas imagens ressoem e alcancem outras pessoas com deficiência.
Ampliando narrativas e representações
O trabalho de Matt também questiona as representações históricas da Amazônia e busca incluir personagens que foram apagados dessas narrativas. Ele cita fotógrafos como Nay Jinknss, Rafael da Luz Serrão, Lu da Silva e Býra, exemplos da produção contemporânea que adotam diferentes metodologias para contar novas histórias.
Belém da periferia sob o olhar de Amarílis Marisa
Moradora da Terra Firme, a fotógrafa e estudante de jornalismo Amarílis Marisa desenvolve sua produção a partir da relação com seu território. Ela relata que a fotografia não esteve entre suas possibilidades profissionais no início, mas após uma formação e anos de esforço, conquistou sua primeira câmera e começou a fotografar o cotidiano. Aos poucos, entendeu que a fotografia poderia construir narrativas sobre sua vivência.
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Fonte: aquidesalvador.com.br
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Fonte: noticiasdorecife.com.br
Atuando em fotojornalismo, fotodocumentação, fotografia artística e audiovisual, Amarílis dedica especial atenção à periferia. Seu trabalho busca mostrar as qualidades e complexidades desses lugares, desafiando o olhar que os associa apenas à criminalidade e valorizando as relações que constroem esses territórios diariamente.
Nas suas lentes, a capital paraense aparece em gestos, vizinhanças, festas, rios, casas, manifestações culturais e diferentes formas de ocupação das ruas. Amarílis destaca que, ao fotografar as pessoas que vivem nesses espaços, surgem outras conexões com a cidade e suas memórias, mostrando que os cartões-postais tradicionais não representam toda a complexidade de Belém.
Transformações percebidas pelo olhar fotográfico
Fotografar também mudou a maneira como Amarílis observa as mudanças na cidade. Ela passou a notar detalhes antes despercebidos: árvores que desapareceram, praças que perderam vida, formas diferentes de ocupação dos espaços públicos. Para ela, Belém se revela uma cidade múltipla, feita de camadas e memórias superpostas.
