Ação Rigorosa Contra Exploração Ilegal
Belém/PA (10/03/2026) – A Operação Maravalha, coordenada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), já contabiliza a apreensão de 7.168 metros cúbicos de madeira serrada e 5.600 toras no Pará. Esta operação visa coibir a exploração, beneficiamento e comercialização ilegal de madeira, tendo inspecionado 70 madeireiras nos municípios de Senador José Porfírio, Trairão e Anapu. Nas vistoria, foi constatado que todas as empresas apresentavam irregularidades, como operação clandestina e falta de documentação que comprove a origem da madeira.
Além das apreensões, foram confiscadas quatro pás carregadeiras, um caminhão bitrem, um rebocador e uma balsa, todos utilizados em atividades ilegais. A fiscalização também resultou na identificação de onze pátios irregulares de armazenamento e na demolição de quatro serrarias clandestinas. Em uma ação aérea em Porto Moz, uma balsa com rebocador foi flagrada transportando 770 m³ de madeira ilegal em toras. Em Medicilândia, dentro do PDS Ademir Fredericce, foram localizadas 2.100 toras extraídas ilegalmente, além de outras 3 mil toras em áreas abertas em Senador José Porfírio.
Créditos Florestais Irregulares
No município de Óbidos, os fiscais descobriram que o desmatamento autorizado estava sendo usado como fachada para a geração de créditos florestais irregulares. Aproximadamente 20 mil m³ de créditos foram bloqueados, dos quais 13 mil m³ já haviam sido transferidos para empresas localizadas em Trairão. Pelo menos 16 empresas que receberam créditos de origem fraudulenta estão sob investigação. Uma análise técnica revelou indícios de que organizações criminosas atuam na extração ilegal de madeira, incluindo em áreas protegidas, utilizando créditos virtuais para ocultar suas atividades. A invalidação desses créditos requer um rastreamento detalhado da cadeia produtiva para responsabilizar os envolvidos.
Parte da madeira apreendida foi destinada a instituições públicas, como o Exército Brasileiro e a Polícia Rodoviária Federal, além de prefeituras das cidades de Anapu e Piçarra. Aquela madeira que não tinha viabilidade para destinação foi inutilizada, evitando seu retorno ao mercado ilegal. Os empreendimentos que foram fiscalizados estão interditados até que regularizem as pendências identificadas. Cada caso será analisado separadamente nos processos administrativos, podendo existir a possibilidade de retomar as atividades após a adequação às exigências legais.
Consequências da Irregularidade e Tentativa de Suborno
O Ibama reforça que regularizar as atividades não anula as multas aplicadas e que produtos florestais apreendidos sem comprovação de origem legal não serão devolvidos, em conformidade com a legislação ambiental. A operação conta com o suporte da Força Nacional de Segurança Pública, da Polícia Rodoviária Federal, do Exército Brasileiro e da Polícia Militar do Pará. As ações continuam, com novas vistorias, bloqueio de créditos e aprofundamento das análises para desmantelar as redes de exploração ilegal na região.
Durante a Operação Maravalha, um fiscal do Ibama enfrentou uma tentativa de suborno ao realizar uma vistoria em uma madeireira em Anapu, no dia 4 de março. O proprietário da empresa foi preso em flagrante após tentar oferecer dinheiro ao agente para evitar uma autuação. A empresa já havia sido notificada sobre a necessidade de apresentar a documentação da madeira em seu pátio, mas o prazo havia expirado. Durante a conferência, foram identificadas cerca de 2.200 toras de madeira, muitas sem identificação, o que configurou mais indícios de irregularidade.
Ao perceber que seria autuado, o proprietário ofereceu R$ 100 mil ao agente do Ibama para tentar impedir a autuação da madeireira e da serraria. O fiscal recusou a proposta e imediatamente reportou a situação à equipe de fiscalização. O responsável foi preso por corrupção ativa e, durante a abordagem, ainda tentou oferecer R$ 3.500 como adiantamento, mas foi detido. O Ibama lavrou um auto de infração no valor de R$ 100 mil pela tentativa de obstrução à fiscalização ambiental. Esta ocorrência destaca a intensa luta contra irregularidades na cadeia produtiva da madeira na região, em consonância com os esforços da Operação Maravalha.
