O crescimento dos pequenos negócios no Pará
O Pará vive um momento de expansão do empreendedorismo, com mais de 244 mil microempreendedores individuais (MEIs) e quase 500 mil pequenos negócios em atividade, somando microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs). Esse avanço é resultado da combinação entre o dinamismo econômico local, o fortalecimento da presença do Sebrae em todos os municípios paraenses e a ampliação dos programas de capacitação empresarial, segundo Rubens Magno, diretor-superintendente do Sebrae no estado.
Desde 2019, o Sebrae no Pará implementou uma estratégia focada na capilarização dos serviços, tornando-se o único estado do Brasil com atendimento em 100% dos seus municípios — todos os 144. Essa abrangência tem permitido que eventos como a Semana do MEI, realizada em maio, atinjam todo o território paraense, impulsionando o empreendedorismo e a formalização dos pequenos negócios.
Semana do MEI e a experiência empreendedora
A Semana do MEI deste ano marcou um novo patamar para o Sebrae no Pará. Com a assinatura “O Futuro do Sebrae”, o evento contou com a maior feira já realizada no estado, em um espaço amplo e climatizado, oferecendo experiências modernas para os microempreendedores. O objetivo foi que o MEI se reconhecesse como um empresário de fato, com quase 100 mil atendimentos — mais do que o dobro da meta inicial, que era 45 mil.
Além de Belém, que concentra o maior número de empreendedores, outras cidades participaram com atividades como rodadas de negócios, cozinha show e feiras, atraindo os pequenos empresários para além da simples regularização. Essas ações incentivam a formação e o desenvolvimento do empreendedor, ampliando suas perspectivas de mercado e capacidade de gestão.
Perfil e desafios dos microempreendedores paraenses
O Pará possui mais de 244 mil MEIs e está próximo de alcançar 500 mil pequenos negócios entre MEIs, MEs e EPPs. Esse crescimento acelerado, que quase dobrou o número desde 2019, é influenciado pelo incentivo governamental à economia e pela necessidade crescente de empreender, seja como atividade principal ou como complemento de renda.
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Os setores de comércio e serviços dominam a atuação dos MEIs, com destaque para alimentação fora do lar, vestuário e construção civil — esta última impulsionada pelas obras estruturantes relacionadas à COP 30. A construção civil tem movimentado não só a mão de obra, mas também toda a cadeia de materiais na região, reforçando sua importância para a economia local.
Capacitação e digitalização como caminhos para a longevidade
Apesar do crescimento, a taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas ainda representa um desafio. Hoje, as empresas paraenses conseguem se manter em funcionamento por uma média de quatro anos, o dobro do tempo registrado no passado, mas ainda há muito a avançar. A falta de planejamento financeiro, especialmente a confusão entre recursos pessoais e empresariais, é a principal causa de fechamento precoce dos negócios.
O Sebrae oferece capacitações ao longo de todo o ano, com foco em gestão financeira, planejamento estratégico e adoção de canais digitais. A pandemia acelerou a digitalização, tornando o comércio eletrônico uma extensão fundamental para as vendas. O Sebrae apoia o empreendedor desde o básico, como o uso do Instagram e WhatsApp Business, até ferramentas mais avançadas como CRM e criação de sites.
Crédito, endividamento e suporte financeiro
O acesso ao crédito é um ponto crítico para os pequenos negócios. O Sebrae atua como garantidor junto ao Fundo de Amparo às Micro e Pequenas Empresas (FAMP), auxiliando os empresários na limpeza do nome e na organização financeira. O endividamento, muitas vezes decorrente da falta de planejamento e do uso inadequado de recursos, especialmente durante a pandemia, dificulta o acesso a financiamentos e pode comprometer a sobrevivência dos negócios.
Durante a COP 30, o Sebrae direcionou mais de R$ 156 milhões para os pequenos negócios, orientando sobre a melhor aplicação desses recursos em estoque, fachada e sistemas. Essa injeção financeira foi fundamental para o preparo dos empreendedores diante do evento, contribuindo para um uso consciente do crédito.
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Perspectivas e desafios para o futuro do MEI
O teto atual de faturamento do MEI, fixado em R$ 81 mil por ano, é uma pauta nacional que o Sebrae defende ampliar para R$ 120 mil. Essa mudança é importante para evitar a preocupação do empreendedor com a tributação ao atingir o limite atual, que pode representar um entrave ao crescimento de seus negócios.
Além disso, o legado da COP 30 em Belém transcende o aspecto ambiental e impacta diretamente a economia local. O evento estimulou a adaptação dos pequenos negócios a uma pauta internacional, ampliando a visão dos empreendedores e mostrando que a Amazônia e seus empreendedores estão prontos para atuar em um mercado global.
Impactos econômicos e sociais pós-COP 30
A movimentação gerada pela COP 30, somada ao Círio de Nazaré, elevou o patamar econômico da região, especialmente no setor hoteleiro, que não retornou aos níveis anteriores ao evento. A governadora Hana Ghassan tem apoiado essa dinâmica, com foco especial no empoderamento feminino por meio do programa “Sebrae Delas”. Atualmente, 57% dos atendimentos do Sebrae são para mulheres, que lideram a maioria dos pequenos negócios no Pará.
Com mais de 1,2 milhão de atendimentos no último ano, o Sebrae segue ampliando sua atuação, fortalecendo o empreendedorismo regional e contribuindo para a geração de renda, emprego e desenvolvimento sustentável. O desafio é manter esse ritmo, aprimorar a gestão dos negócios e ampliar o acesso a novas oportunidades, garantindo a perenidade dos pequenos negócios no estado.
