O futebol como motor econômico
O futebol é indiscutivelmente o esporte mais popular do planeta, conhecido por despertar emoções intensas em seus torcedores. Porém, sua influência vai muito além das arquibancadas, afetando diretamente a economia de cidades, estados e até países. Na capital paraense, a ascensão do Clube do Remo na Série A do Campeonato Brasileiro já se reflete em resultados positivos para o comércio local, com vendedores otimistas e vendas aquecidas.
Em Belém, a presença do Remo na elite do futebol brasileiro trouxe uma onda de entusiasmo que rapidamente se traduz em números no comércio. Davi Ricarte, gerente da loja de produtos oficiais do clube, localizada no Baenão, observou um aumento de 20% a 30% nas vendas de camisas e outros itens. “Não foi uma mudança radical, pois já estávamos experimentando um crescimento. O torcedor está empolgado há cerca de um ano e meio, com dois acessos consecutivos. No entanto, a transição da Série B para a Série A, sem dúvida, trouxe um impulso considerável nas vendas”, destaca.
Ver-o-Peso e o movimento crescente
O Ver-o-Peso, um dos principais pontos turísticos e centros comerciais de Belém, também é um indicador do impacto do futebol na economia local. Os vendedores da feira notam um aumento na demanda por produtos relacionados ao Remo. Carlos Alberto Alves de Souza, que há 62 anos trabalha no local, afirma que as vendas de itens do clube aumentaram cerca de 100%. “Todo mundo quer levar a camisa do Remo, até visitantes de fora. O clube está na Série A e é reconhecido como um dos melhores”, comenta.
O perfil do consumidor também está mudando, segundo Davi. “Estamos vendo um retorno de pessoas que não frequentavam o estádio e novos torcedores, atraídos pela experiência da Série A. É uma ótima oportunidade não apenas para consumir, mas para vivenciar o futebol”, explica. Além dos paraenses, torcedores de outros estados também estão buscando produtos do Remo durante os jogos, como foi o caso na partida contra o Internacional, onde visitantes demonstraram interesse em adquirir camisas e personalizá-las.
A expectativa de crescimento entre os vendedores
No Ver-o-Peso, João Alves, um feirante de 64 anos, também percebeu um impacto positivo. “Eu estimaria um aumento de 50% no meu movimento após o acesso do Remo. Mesmo no ano passado, já havia um grande fluxo de pessoas interessadas”, relata. A procura por produtos não se limita às camisas do Remo; itens de clubes visitantes, como Internacional, Vasco, Fluminense e Bahia, também têm sido procurados pelos torcedores que assistem aos jogos em Belém. Um dos confrontos mais esperados pelos vendedores é aquele contra o Flamengo, que atrai uma grande quantidade de admiradores na região.
O artesão Josias Nascimento, que vende peças de cerâmica e miriti no Ver-o-Peso, confirma a tendência. Ele oferece itens personalizados com escudos de diversos clubes e observa um aumento nas vendas com a vinda de torcedores. “O futebol atrai muitos visitantes, e a presença do Remo na Série A só aumenta a expectativa de vendas”, afirma.
Impacto no setor de turismo e hotelaria
Além de impulsionar o comércio local, o futebol também movimenta outros setores, como turismo, hotelaria e gastronomia. Um levantamento da Prefeitura do Rio de Janeiro destacou que os jogos de Botafogo, Flamengo, Vasco e Fluminense impactaram em R$ 1,9 bilhão na economia em 2023. Nesse contexto, a presença do Remo na Série A pode representar ganhos significativos para Belém.
“O sucesso comercial depende em grande parte dos resultados em campo. Acreditamos que, ao investir em materiais e acessórios, poderemos manter o torcedor engajado e aumentar o consumo”, afirma Davi, com uma visão otimista para o futuro. As expectativas são elevadas entre os vendedores; seu Carlos, por exemplo, planeja vender mais de 5 mil camisas ao longo do ano, desde que o desempenho do time continue forte. “Quanto mais o Remo ganhar, mais as vendas vão aumentar”, conclui.
