A Rua da Marinha e Suas Polêmicas Ambientais
A Rua da Marinha, parte dos investimentos relacionados à COP 30, foi oficialmente entregue em Belém, no Pará, quase cinco meses após a conferência que ocorreu em novembro de 2025. Com um custo total de R$ 253 milhões, a obra é fruto de uma parceria entre o Governo do Pará e o BNDES. A nova via, que se estende por quase 3,4 km, promete beneficiar mais de 200 mil habitantes da região, interligando as avenidas Augusto Montenegro e Centenário, no bairro da Marambaia. Até o momento, apenas uma parte da via estava liberada para o tráfego.
O projeto inclui duas pistas de mão dupla, cada uma com três faixas, além de um canteiro central que recebeu o plantio de aproximadamente 260 árvores. Também foram instalados um playground, uma academia ao ar livre, uma ciclofaixa, novas redes de drenagem e calçadas acessíveis. A expectativa é que a via consiga suportar um fluxo diário superior a 20 mil veículos, contribuindo para reduzir os congestionamentos na área.
Entretanto, a execução da Rua da Marinha não esteve isenta de controvérsias. Em novembro de 2024, a Justiça determinou a suspensão da duplicação da via, atendendo a uma ação civil pública do Ministério Público do Pará (MPPA). O MPPA argumentou que a obra não possuía a licença ambiental exigida, emitida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma).
A Semma já havia negado o licenciamento, alegando que a construção invadiria os limites do Parque Ecológico Municipal Gunnar Vingren. De acordo com o órgão, a obra poderia causar a supressão de vegetação nativa, a retirada de espécies de animais silvestres e impactos negativos à flora e fauna locais, além de ameaçar nascentes e olhos d’água da região.
O Governo do Pará, por sua vez, defendeu que tinha obtido as licenças necessárias junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), sustentando que a atribuição para a liberação das licenças cabia ao órgão estadual. No entanto, a Justiça determinou que a Semma era o órgão competente para esse processo.
Outras polêmicas também surgiram no decorrer da obra. Em maio de 2024, o governo estadual cancelou uma licitação inicial para um dos trechos do projeto após receber críticas públicas sobre a possibilidade de a construção afetar a área do parque ambiental. Essa situação gerou um debate intenso entre os defensores do meio ambiente e as autoridades locais.
A entrega da Rua da Marinha representa um momento importante para Belém, especialmente considerando os desafios enfrentados em relação à infraestrutura urbana e à mobilidade. Apesar dos desafios e das preocupações ambientais, o projeto foi planejado com a intenção de melhorar a qualidade de vida da população local, embora tenha suscitado questionamentos sobre os impactos ambientais e a gestão de recursos naturais na região.
O debate sobre a relação entre desenvolvimento urbano e preservação ambiental continua sendo relevante em Belém e em todo o Brasil. À medida que o país busca avançar em projetos que promovam a modernização e a infraestrutura, a necessidade de equilibrar esses avanços com a proteção do meio ambiente se torna cada vez mais evidente.
