Integração entre Ciência e Conhecimento Ancestral
O auditório da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, foi palco na quinta-feira, 18, do início do “Seminário Pesquisa intercultural como ferramenta de proteção e conservação dos territórios indígenas“. O evento celebra os resultados do primeiro inventário de fauna e flora realizado na Terra Indígena (TI) Panará, com atividades que se estendem até sábado, 20.
Essa iniciativa inédita une a tradição dos indígenas Panará e a expertise científica para proteger a biodiversidade do coração amazônico. Enquanto pesquisadores da UFPA, Unicamp e Jardim Botânico do Rio de Janeiro, em colaboração com a Conservação Internacional (CI-Brasil), utilizaram tecnologias digitais, como aplicativos de coleta de dados e câmeras armadilhas (câmeras traps), os jovens e anciãos Panará contribuíram com seu profundo conhecimento da floresta.
Descobertas e Monitoramento da Biodiversidade
Até o momento, o projeto identificou 14.823 animais pertencentes a 602 espécies, incluindo 27 ameaçadas de extinção, como o macaco Zogue-zogue (Plecturocebus vieirai), e outras vulneráveis, como o Tatu canastra (Priodontes maximus). Surpreendentemente, também foram registradas espécies até então desconhecidas pelos Panará, como a Maria-leque (Onychorhynchus coronatus) e a Perereca-de-vidro (Hyalinobatrachium cappellei).
Leia também: Ciência Cidadã: Como a população de Belém se conecta com a biodiversidade amazônica
Leia também: Amazônia: A Ciência que Impulsiona Reflexões sobre o Futuro
Além do levantamento da fauna, a iniciativa possibilitou o monitoramento da qualidade da água do rio Iriri, vital para a sobrevivência dos indígenas, ameaçada pelo avanço do garimpo ilegal e da agricultura industrial. Os dados coletados serão tema central dos debates durante os três dias do seminário.
Impactos Culturais e Sociais na Comunidade Panará
O projeto trouxe benefícios imediatos às aldeias, como o “Cine Bicho”, uma sessão de exibição das imagens da fauna para a comunidade local, que fortaleceu o vínculo cultural. Também foram registrados em áudio e vídeo os nomes dos animais no idioma Panará, contribuindo para a preservação da identidade cultural do povo.
Leia também: Negacionismo Climático em Belém: Exclusão Científica no Comitê de Riscos Preocupa Especialistas
Participação Aberta e Transparência
O seminário pode ser acompanhado gratuitamente, tanto presencialmente na UFPA, com inscrições pela plataforma Sympa, quanto online, por meio da transmissão ao vivo no canal oficial da Conservação Internacional no YouTube. O encontro, iniciado com uma celebração da cultura Panará e tradução simultânea para o idioma local, reforça que a pesquisa intercultural é uma estratégia eficaz e urgente para a conservação das áreas sensíveis da Amazônia.
