Exoneração e investigação após denúncias no Carnaval de Belém
A Prefeitura de Belém comunicou na tarde desta sexta-feira (19) a exoneração do superintendente da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), Aiuá Reis Queiroz, em meio a denúncias de irregularidades relacionadas ao pagamento dos jurados do Carnaval. A medida acompanha a abertura de uma apuração interna para esclarecer os fatos. Segundo o jornalista Adriano Wilkson, o gestor teria admitido, em gravação, a intenção de cometer irregularidades para viabilizar os pagamentos, que totalizariam R$ 30 mil para 10 jurados, cada um recebendo R$ 3 mil.
Detalhes da denúncia e gravação reveladora
O áudio foi captado em reunião realizada no início de junho com os jurados que atuaram no desfile das escolas de samba deste ano. A denúncia aponta que parte desses profissionais ainda não recebeu o pagamento, mesmo após aproximadamente quatro meses da prestação do serviço. Durante a reunião, Aiuá Reis teria pedido desculpas pelo atraso e sugerido um procedimento irregular para viabilizar o pagamento, apresentando essa alternativa como única forma possível.
Segundo o relato, diante da ausência de recursos destinados ao Carnaval, a Secult planejava inscrever os jurados em outro edital, relacionado à avaliação de quadrilhas juninas, prevista para o fim de semana seguinte. Assim, os contratos seriam formalizados e os nomes publicados no Diário Oficial, apesar dos jurados não prestarem efetivamente o serviço previsto nesse novo edital.
Questionamentos sobre legalidade e resposta do gestor
Na gravação, o gestor explica: “Nós vamos cadastrar vocês, quem ainda não tiver cadastrado. Quem já tiver cadastrado, ótimo. E vamos, no papel, contratar vocês como sendo uma fase anterior do junino. A gente pensa em como a gente faz o negócio para poder juntar o processo. E aí nós vamos pagar a diária de vocês. Na semana que vem, a gente assina o contrato com todo mundo. E, teoricamente, acontece a prestação de serviço. Na outra [semana], é o pagamento”.
Ao ser questionado sobre a legalidade da ação, respondeu: “Claro que é ilegal, mas aí a gente assume o risco”.
Posicionamento da prefeitura e garantias aos jurados
Em nota oficial, a gestão municipal enfatizou que não tolera condutas que contrariem os princípios da legalidade, ética e responsabilidade na administração pública. A prefeitura assegurou que os jurados do Carnaval de 2026 terão seus pagamentos efetuados conforme os trâmites legais, sem prejuízo aos trabalhadores.
O prefeito Igor Normando declarou que a gestão não compactua com práticas ilegais ou antiéticas. “Determinei a exoneração imediata do superintendente da pasta e as medidas necessárias para que os fatos sejam apurados com transparência e responsabilidade”, afirmou.
O prefeito reforçou: “Em Belém, quem ocupa cargo público deve agir com respeito ao povo e às instituições. Não haverá tolerância com qualquer conduta que comprometa a confiança da população. Informamos também que todos os jurados do Carnaval da Prefeitura serão pagos dentro da legalidade”.
Defesa do ex-superintendente e próximos passos
A Redação Integrada de O Liberal tentou contato com Aiuá Reis para que ele se manifestasse, mas o ex-superintendente não foi localizado até o fechamento desta reportagem. O espaço permanece aberto para eventual resposta.
