Impacto do tarifaço nas exportações paraenses
O aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos está transformando as dinâmicas comerciais do Pará, principalmente nos setores de mineração, metalurgia e transformação mineral. Dados exclusivos da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), analisados para o Grupo Liberal, indicam que as exportações para o mercado norte-americano recuaram 25,82% nos primeiros sete meses de 2026. Essa queda expressiva acontece em um cenário em que o Pará busca ampliar sua atuação em outros mercados.
No primeiro semestre, as vendas paraenses aos Estados Unidos despencaram 29,5%, mas as exportações totais do Pará cresceram 19,5%. Esse cenário revela um reposicionamento estratégico da produção, que está sendo direcionada para outras regiões, reduzindo a dependência do mercado americano.
Setores mais afetados e produtos impactados
Cassandra Lobato, gerente do Centro Internacional de Negócios da Fiepa (Fiepa CIN), destaca que os setores de mineração e transformação mineral, pilares da pauta exportadora do estado, sofreram as maiores retrações. Produtos como alumina calcinada e hidróxido de alumínio registraram quedas expressivas nas vendas aos Estados Unidos, de 56,07% e 74,01%, respectivamente.
Esses materiais são essenciais para a indústria norte-americana, usados em embalagens, veículos, equipamentos industriais e tecnologias relacionadas à transição energética. A cadeia mineral e metalúrgica concentra grande parte da exposição do Pará ao mercado americano, incluindo também alumínio, ferro fundido, ferro-níquel e silício.
Estratégia para diversificação de mercados
A Fiepa entende que a resposta à queda nas exportações não está em abandonar o mercado dos EUA, mas sim em conciliar a manutenção dessa relação com a ampliação da presença em outros países. Cassandra Lobato ressalta a importância de combinar essas duas frentes para reduzir riscos e aumentar a resiliência das empresas paraenses frente às mudanças tarifárias.
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Fonte: cidaderecife.com.br
Um exemplo dessa estratégia é a intensificação das relações comerciais com a Índia, mercado que vem ganhando espaço para os produtos do Pará. A diversificação oferece uma margem maior de manobra para o setor industrial local, evitando dependência excessiva de um único mercado.
O desempenho do açaí diante do tarifaço
Nem todos os produtos do Pará foram impactados negativamente pelo tarifaço. O açaí tem se destacado positivamente, especialmente no mercado norte-americano. Entre janeiro e julho de 2026, os Estados Unidos foram o principal destino do açaí paraense, chegando a concentrar 100% das exportações de purê de açaí. As vendas passaram de US$ 219,6 mil para US$ 321,3 mil, um crescimento de 46,35% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Essa valorização está ligada à retirada do açaí da lista de produtos sujeitos à taxação nos EUA, ocorrida em novembro de 2025. O caso do açaí demonstra que o impacto das tarifas varia conforme o produto, beneficiando aqueles que ficaram fora das novas alíquotas.
Pressão sobre margens e perspectivas para o emprego
Felipe Freitas, gerente do Observatório da Indústria do Pará, avalia que as mudanças tarifárias provocaram um redirecionamento dos mercados e pressão sobre as margens das empresas. Apesar da queda nas vendas para os EUA, o crescimento das exportações totais permitiu que o saldo de empregos formais no estado permanecesse positivo após o tarifaço.
Freitas alerta, porém, para os impactos futuros na produção e nos investimentos caso a instabilidade comercial persista. Ele aponta que a imprevisibilidade das tarifas americanas, que mudaram três vezes em doze meses, pode levar as empresas a adiar projetos de expansão, um custo silencioso que pode superar o efeito direto das tarifas.
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Fonte: agendapublica.com.br
Se essa situação continuar, segmentos mais dependentes do mercado norte-americano e sujeitos a tarifas, como sebo bovino, alumínio primário, silício e pescado, podem enfrentar maiores dificuldades para manter o ritmo de produção e as contratações.
Propostas para fortalecer a indústria e o comércio
O presidente da Fiepa, Alex Carvalho, defende que o Brasil aproveite o atual cenário para revisar sua política comercial. Ele sugere adotar um modelo semelhante ao dos Estados Unidos e da China, com cotas para determinados produtos e aplicação de sobretaxas quando esses limites forem ultrapassados. Essa estratégia, segundo ele, poderia estimular a verticalização da produção, fortalecer a indústria nacional e atrair novos investimentos.
Além disso, a Fiepa enfatiza a importância de manter o diálogo com os Estados Unidos para preservar uma relação comercial construída ao longo de décadas, marcada pela integração das cadeias produtivas. A entidade também recomenda ações para aumentar a competitividade, incentivar a inovação, ampliar o acesso a instrumentos de apoio às exportações e fortalecer a internacionalização das empresas paraenses.
A resposta ao tarifaço, portanto, deve combinar a preservação dos mercados tradicionais com a busca por novos destinos, garantindo a sustentabilidade e o crescimento do setor exportador do Pará.
