Teia da leitura: Um Encontro de Saberes e Propostas
Nos últimos dias de evento em Belo Horizonte, a Teia da Leitura se estabeleceu como um ponto crucial para o diálogo entre a sociedade civil e o setor público. O encontro, que contou com a participação de representantes de 22 estados e mais de 50 pontos de cultura, teve como objetivo a construção coletiva de iniciativas voltadas para o livro, a leitura, a literatura e as bibliotecas, tanto públicas quanto comunitárias, no Brasil.
Com cerca de 500 participantes ao longo da sua programação, a Teia, organizada pelo Instituto Cultural AbraPalavra, reafirma a importância das redes culturais na promoção de um futuro mais acessível à leitura no país.
No terceiro dia do evento, enfatizou-se a literatura como uma prática essencial, presente em diversos contextos. A mesa redonda intitulada ‘Literatura por toda parte’ trouxe à tona a discussão sobre estratégias para ampliar o acesso ao livro e a leitura no dia a dia da população.
Fernando Chagas, mediador da mesa e diretor da Teia da Leitura, ressaltou: “A intenção é mostrar que a literatura está nas ruas, nas casas, nas relações e nos embates. Quando a literatura permeia o cotidiano, ela se transforma de um privilégio em um direito que atravessa fronteiras, fortalece laços e muda realidades.”
Direito à Escrita: Ampliando Vozes e Desafiando Imaginários
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A mesa ‘Direito à Escrita’ destacou um dos pontos mais impactantes da Teia, ao evidenciar a escrita como uma dimensão essencial nas políticas culturais. A poeta e slammer Nívea Sabino enfatizou a escrita como uma forma de existir: “A literatura é uma possibilidade de viver a partir da liberdade de criar uma literatura marginal, com um pensamento livre.”
Igor Graciano, Coordenador-geral de Livro e Literatura do Ministério da Cultura (MinC), reforçou a necessidade de estruturar a escrita dentro das políticas públicas: “Para que as políticas se sustentem, é fundamental um plano estratégico, participação ativa, financiamento e institucionalização. Mas, fundamentalmente, é imprescindível reconhecer a escrita como um direito de interesse público.”
O debate também acentuou a urgência de expandir a formação em escrita literária, tanto em ambientes formais quanto comunitários. Igor destacou a coexistência das diferentes formas de produção poética: “A escrita comunitária e a literatura de ‘gabinete’ podem coexistir, já que ambas demandam políticas específicas.”
Além de Nívea e Igor, a mesa contou com a participação de Marcelino Freire, Jadna Alana e Vanessa Gonçalves, sob mediação de Rodrigo Teixeira.
Avanços e Inovações nas Políticas de Leitura
No terceiro dia, também foram apresentadas atualizações relevantes nas políticas públicas para o livro, leitura e bibliotecas. O Proler, uma iniciativa que visa reconhecer e apoiar projetos em território nacional, foi destacado, assim como os novos caminhos do edital Viva Leitura 2026.
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O Proler se firmou como uma estratégia para fortalecer a autonomia das bibliotecas, promovendo o reconhecimento das iniciativas locais. Nadja Cézar, coordenadora-geral de Leitura e Bibliotecas do MinC, afirmou: “Queremos que a biblioteca seja um espaço de articulação onde a comunidade possa se unir e desenvolver projetos de forma colaborativa.”
O edital Viva Leitura 2026 apresentou melhorias significativas, a partir de experiências recentes, como a distinção entre bibliotecas públicas e comunitárias e a inclusão da escrita criativa como um critério importante, ampliando a noção de leitura para além do acesso.
A Carta da Teia: Leitura, Cidadania e Transformação Social
O último dia da Teia foi dedicado à consolidação dos grupos de trabalho e à elaboração da Carta da Teia da Leitura, documento que reúne diretrizes e propostas para o fortalecimento das políticas públicas no setor. A proposta de criar este documento surgiu durante uma fala do secretário Fabiano Piúba, gestor da Sefli.
A Carta reafirma a leitura como um direito fundamental e apresenta prioridades estratégicas, como a cooperação entre cultura e educação, financiamento contínuo, fortalecimento de bibliotecas, e reconhecimento de iniciativas locais. Além disso, propõe a destinação de recursos específicos para o campo do livro e a criação de mecanismos que articulem as diferentes redes culturais.
Encerramento e Compromissos Futuros
O encerramento da Teia foi marcado por uma roda de conversa entre o Ministério da Cultura e representantes de pontos de leitura, reforçando o compromisso com a continuidade das ações e o fortalecimento das redes culturais. O evento também contou com a apresentação artística de Odilon Esteves e o lançamento do jogo Missão Biblioteca, desenvolvido em parceria com a Kiwi Jogos, ampliando as estratégias de formação de comunidades leitoras.
Articulada pelo Instituto Cultural AbraPalavra, a 1ª Teia de Leitura destacou o papel dos Pontões de Cultura como agentes estratégicos na conexão entre a sociedade e o poder público, reforçando a importância das políticas culturais no Brasil. Aline Cântia, Presidente do Instituto AbraPalavra, destacou: “A Teia da Leitura surge do desejo de unir o Brasil a partir das comunidades leitoras, fortalecendo as iniciativas já existentes e reafirmando o compromisso com o direito à leitura.”
Fabiano Piúba complementou, dizendo que a Teia é crucial para conectar as políticas públicas com a promoção da cidadania através do direito à leitura. As discussões e propostas geradas em Belo Horizonte servirão como base para a Teia Nacional, que ocorrerá em Aracruz (ES), ampliando o debate e fortalecendo a construção de um futuro solidário para a leitura.
A Teia da Leitura é uma realização do Instituto AbraPalavra, em colaboração com o Ministério da Cultura, a Secretaria de Formação, Livro e Leitura (Sefli), e a Secretaria de Cidadania e Diversidade (SCDC), com o apoio da Fundação Nacional de Artes (Funarte).
