Uma Nova Era de Transição Energética
A apenas um mês da Primeira Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis em Santa Marta, Colômbia, a urgência em torno da questão ambiental se intensifica. O consenso científico, antes debatido, agora se transforma em um ultimato político: a transição gradual já não é uma opção. Especialistas, como o climatologista Carlos Nobre, alertam sobre o iminente risco de uma Amazônia inabitável nas próximas décadas. Com isso, o foco se volta para a criação de um “mapa do caminho” que remova subsídios obsoletos e promova o financiamento para a biodiversidade.
O evento, co-organizado pelos Países Baixos, ocorrerá entre os dias 25 e 26 de abril de 2026, com a confirmação de 45 nações participantes, segundo Irene Vélez, ministra do Meio Ambiente da Colômbia. Um estudo de organismos ambientais revela que mais de 50 países estão elaborando seus próprios planos de descarbonização do setor energético. O Brasil, por sua vez, não fica atrás e está desenvolvendo um roadmap nacional para guiar suas políticas.
Discussões Cruciais para o Futuro
Durante a conferência de Santa Marta, estarão em pauta questões fundamentais, como a elaboração de trajetórias claras, o fortalecimento do multilateralismo e a criação de mecanismos financeiros para apoiar a transição energética. A expectativa é que o encontro não apenas estabeleça as bases para uma futura conferência, mas também mantenha um diálogo ativo com as negociações da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).
Os ambientalistas e diplomatas esperam que esta conferência resulte em um esboço concreto de um roteiro global para a transição energética, articulando metas, financiamento e cooperação internacional. Essa proposta começou a ser discutida na COP30, realizada em Belém em novembro de 2025.
Desafios e Oportunidades na Transição
Irene Vélez enfatiza que um dos maiores desafios a serem enfrentados é a eliminação dos subsídios aos combustíveis fósseis. “Estes subsídios sustentam um modelo econômico insustentável”, declarou em um seminário virtual promovido por ClimaInfo e outras organizações. A ministra defende o fim tanto dos incentivos à produção quanto ao consumo, embora reconheça as dificuldades fiscais que muitos países enfrentam atualmente.
André Corrêa do Lago, presidente da COP30, ressaltou o caráter político da conferência, afirmando que ela acontece em um momento crítico. “Este encontro pode ser a oportunidade de ir além das simples declarações”, afirmou, referindo-se ao impacto da guerra no Irã no debate sobre energia. Para ele, a conferência deve se transformar em ações práticas.
Construindo Novas Alianças
“Estamos próximos de concretizar uma nova aliança política ou um novo bloco”, confia Vélez, sugerindo que podem surgir acordos e regras de comércio entre os países participantes. Essa dinâmica ocorreria paralelamente às negociações climáticas em fóruns como a COP da ONU.
André Andrade, Diretor da Secretaria Nacional de Mudança do Clima, que representa o Brasil, destacou a importância de um planejamento estruturado. Ele afirma que “sem uma trajetória definida, não há como avançar na transição”. O Brasil está criando um mapa do caminho nacional que inclui marcos para orientar políticas públicas e decisões econômicas, visando alinhar esforços nacionais com uma estratégia global que minimize a dependência de combustíveis fósseis.
A Necessidade de Ação Imediata
Há um consenso entre os especialistas de que a nova coalizão deve ser capaz de avançar mais rapidamente do que os métodos tradicionais. “Se a ciência afirma que não temos mais tempo, não faz sentido criar processos morosos”, afirmou Corrêa do Lago. Desta forma, a conferência em Santa Marta será um verdadeiro termômetro da capacidade das nações de transformar discursos em ações concretas e rápidas, conforme um apelo constante de Carlos Nobre, que alerta sobre os riscos à Amazônia.
Nobre, reconhecido mundialmente por suas pesquisas, é categórico ao afirmar que a redução das emissões deve ser “super rápida”, com a meta ideal de zerá-las até 2040. No entanto, ele alerta que mesmo assim, a temperatura global deve aumentar entre 1,7°C e 1,8°C.
Consequências do Atraso na Transição
“Se ultrapassarmos os 2 graus, estaremos diante de um ecocídio”, adverte, enfatizando a necessidade de agir rapidamente para evitar os pontos de não retorno. Ele menciona ameaças como o derretimento acelerado de geleiras e o risco para os recifes de corais, dos quais 84% estão ameaçados. Além disso, salienta que a transição energética pode trazer benefícios diretos à saúde pública, já que a queima de combustíveis fósseis é responsável por cerca de 7 milhões de mortes anuais em todo o mundo devido à poluição urbana.
Assim, Santa Marta se antecipa como um teste político crucial: a transformação do consenso científico em ações coordenadas. A um mês do evento, a mensagem dos especialistas é inequívoca: o tempo para uma transição gradual se esgotou.
