Um marco de tradição e força econômica na Amazônia
O mercado Ver-o-Peso, que completa 399 anos nesta sexta-feira (27), desempenha um papel crucial na economia de Belém, movimentando anualmente cerca de R$ 360 milhões, o que equivale a aproximadamente R$ 1 milhão por dia. Diariamente, entre 15 mil e 20 mil pessoas circulam pelo local, que abriga cerca de 3 mil trabalhadores e se destaca como um dos principais pontos de economia popular na região amazônica. Desde sua fundação em 1627, o Ver-o-Peso se consolidou como um símbolo da cidade e um hub de atividades comerciais.
Um estudo do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) destaca que essa feira, considerada a maior a céu aberto da América Latina, envolve uma vasta cadeia produtiva. A comercialização abrange desde pescados e carnes até hortifrutigranjeiros e produtos tradicionais da região, como açaí, farinha e artesanato. Os números são expressivos, com toneladas de mercadorias chegando diariamente de várias partes do estado, abastecendo não só Belém, mas também a Região Metropolitana e outros municípios.
Na Feira do Açaí, o volume diário pode atingir quase 200 toneladas, beneficiando mais de 10 mil batedores na área. O setor de pescado, situado entre a Pedra do Peixe e o Mercado de Ferro, movimenta entre 80 e 120 toneladas diariamente, com um aumento considerável durante épocas festivas como a Semana Santa. Por sua vez, a circulação de hortifrutigranjeiros varia entre 40 e 60 toneladas diárias, enquanto o Mercado de Carne Francisco Bolonha registra aproximadamente 3 toneladas de carne por dia.
Sustento e Tradição
Mais do que números, o Ver-o-Peso é um espaço vital de sustento para milhares de trabalhadores e suas famílias. Carlos Zarudo Alves de Freitas, de 65 anos, conta que atua no mercado desde os 12 anos e que sua trajetória foi construída ali. “Piorar não piorou, mas ficou razoável pra gente”, comenta sobre as vendas que, apesar das dificuldades, continuam a garantir seu sustento.
Ele recorda que, ao longo dos anos, conseguiu criar os filhos e manter a casa com seu trabalho no Ver-o-Peso, onde ainda atua ao lado da esposa. Carlos menciona que o mercado já passou por tempos complicados, especialmente durante a epidemia de Covid-19, mas enfatiza que a experiência permite enfrentar períodos de incerteza. “A gente vai sobrevivendo. Quem sabe trabalhar consegue seguir”, afirma.
Outro comerciante, Sebastião Pimentel, açougueiro de 76 anos, compartilha suas vivências no Mercado de Ferro desde os 11 anos. Ele relata que, com o tempo, as vendas diminuíram devido à concorrência de novos pontos de vendas. “Antigamente não tinha supermercado, não tinha outras feiras”, observa. Ele questiona se vale a pena o gasto com transportes para vir ao mercado, especialmente quando há opções mais próximas de casa.
Sebastião ainda aponta problemas estruturais, como a falta de infraestrutura e espaço para estacionamento, que dificultam a experiência de compra no local. Ele destaca que os principais clientes do Mercado de Ferro são aqueles que frequentam o Ver-o-Peso regularmente, refletindo uma mudança no comportamento dos consumidores ao longo das décadas. “Antes, até 1998, 1997, vendia muito mais”, conclui.
