Semas promove debate sobre sociobioeconomia
A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas) realizou, nos dias 26 e 27 de março, o encontro intitulado “Casa Sociobio: Balanço e Perspectivas”, no Auditório do Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, em Belém. O evento reuniu representantes de diversos segmentos, incluindo povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, além de instituições parceiras, para discutir estratégias de fortalecimento da sociobioeconomia no Estado.
Este encontro simbolizou o culminar do apoio do UK PACT, através da consultoria Trama, representada por Pedro Leitão, que contribuiu na concepção e institucionalização da Casa Sociobio. A proposta visa estabelecer a Casa Sociobio como um elemento estratégico para integrar políticas públicas, promover o desenvolvimento sustentável e fortalecer as cadeias produtivas da sociobiodiversidade no Pará.
Durante a abertura, a secretária adjunta de Bioeconomia da Semas, Camille Bemerguy, enfatizou a necessidade de aprimoramento das políticas públicas voltadas para o setor. “Ainda temos muito a refinar, pois política pública não é algo imutável. Este é um momento crucial em que os estudos vão apoiar o aperfeiçoamento do que já foi iniciado”, afirmou.
Ela também sublinhou a importância da análise técnica para orientar as decisões. “É essencial examinar os dados de maneira aprofundada, compreender como eles se conectam com as ações existentes e como podem direcionar novos avanços. Esses estudos serão fundamentais para refinar o plano de bioeconomia”, completou.
A estrutura e governança da Casa Sociobio
No primeiro dia do evento, os debates se concentraram no desenho institucional da Casa Sociobio, abordando temas como missão, objetivos, funções e ferramentas estratégicas, incluindo programas de fomento, laboratórios vivos e escolas de saberes. Foram discutidas também as táticas de mobilização de recursos e a definição da estrutura de governança da iniciativa.
Participação social e análise territorial
O segundo dia foi dedicado a aprofundar as discussões sobre a caracterização territorial da sociobioeconomia no Pará, além de analisar as demandas e as estratégias de formação e capacitação. Especialistas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), do Centro Universitário do Pará (Cesupa) e da Universidade Federal do Pará (UFPA) participaram ativamente das apresentações.
Letícia Leal, representante do Cesupa, ressaltou a importância dos dados na melhoria das ações. “A análise de dados nos permitiu entender o perfil dos proponentes e criar um diagnóstico sólido das iniciativas. Com isso, conseguimos estruturar planos de trabalho e avançar na prototipação das soluções. Esse material traz recomendações valiosas para políticas públicas e para o aprimoramento das próximas edições do programa”, explicou.
Nonato Souza, que representa os Povos Indígenas, Quilombolas, Comunidades Tradicionais e Agricultores Familiares (PIQCTAFs) e faz parte da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (FETRAF), destacou a importância da iniciativa. “A criação da Casa é essencial para os movimentos sociais e para a agricultura familiar. Ela fortalece a economia solidária e amplia as oportunidades de mercado para nossa produção. Agora, o próximo passo é organizar e formar o conselho para garantir que a iniciativa funcione de maneira eficaz”, afirmou.
Por sua vez, o professor José Herrera, da UFPA, ressaltou o papel das instituições de ensino nesse processo. “As universidades têm contribuído significativamente e podem continuar a avançar. Quando analisamos a literatura, percebemos que há poucos estudos e experiências no Brasil que se assemelham à trajetória que o Pará está construindo para consolidar a sociobioeconomia”, concluiu.
