Investimentos robustos em ciência e tecnologia no Pará
O Pará já recebeu cerca de R$ 830 milhões em recursos voltados para ciência, tecnologia e inovação, conforme informou a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. Esses fundos abrangem iniciativas que vão desde a pesquisa científica até a infraestrutura tecnológica, passando pela formação de pesquisadores, inovação empresarial e o desenvolvimento tecnológico regional. A ministra divulgou esses dados durante entrevista ao DIÁRIO, realizada em Belém no dia 4 de novembro, ocasião da reabertura do Museu das Amazônias (MAZ).
Transformando a biodiversidade em oportunidades concretas
Na visita, ficou claro o papel fundamental da ciência para criar alternativas econômicas sustentáveis na região amazônica. Luciana Santos enfatizou o desafio de converter a riqueza natural da floresta em oportunidades reais, sem comprometer a conservação ambiental nem os modos de vida dos povos tradicionais. “A biodiversidade amazônica representa uma das maiores riquezas estratégicas do Brasil. Nosso desafio é transformar esse potencial em desenvolvimento, mantendo a floresta em pé e gerando oportunidades para a população local”, declarou.
A ministra destacou que o Governo Federal tem direcionado esforços para áreas como pesquisa, biotecnologia, bioeconomia e inovação. O objetivo é fortalecer as cadeias produtivas ligadas à sociobiodiversidade, incentivar o surgimento de novos empreendimentos, ampliar a geração de empregos e agregar valor aos produtos da região.
Protagonismo do Pará na nova economia sustentável
Luciana Santos ressaltou que o Pará deve assumir um papel de liderança no processo, deixando de ser apenas fornecedor de matérias-primas. “Queremos que o conhecimento produzido nas universidades e institutos de pesquisa se traduza em soluções concretas para a população e que a riqueza gerada pela biodiversidade beneficie as comunidades locais, respeitando seus saberes e garantindo a repartição justa dos benefícios”, afirmou. Para ela, estados como o Pará precisam ser protagonistas da nova economia sustentável.
Recursos significativos para fortalecer a ciência local
Segundo a ministra, os recursos destinados ao Pará via chamadas públicas e bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) já somam cerca de R$ 400 milhões. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) também destina mais de R$ 312 milhões para apoiar projetos em empresas, universidades, institutos tecnológicos e outras instituições públicas e privadas. Aproximadamente R$ 100 milhões foram aplicados em projetos fora da capital, ampliando o alcance das políticas para cidades do interior.
Esses investimentos contemplam modernização da infraestrutura científica, transformação digital, bioeconomia, agricultura familiar, eficiência energética e incentivo ao empreendedorismo inovador. “Valorizar a pesquisa e os pesquisadores tem sido uma das nossas prioridades”, explicou a ministra.
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Novos projetos e expansão da infraestrutura científica
Luciana Santos detalhou chamadas públicas recentes que visam à expansão da infraestrutura científica na Amazônia. Em 2024, foram disponibilizados R$ 160 milhões para essa finalidade, incluindo R$ 20,4 milhões destinados ao Pará em uma chamada pública. Além disso, R$ 50 milhões financiaram três encomendas, duas delas para instituições paraenses: R$ 20 milhões para o Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi e R$ 20 milhões para o Museu das Amazônias, em Belém.
Durante a COP30, em 2025, o Ministério lançou uma nova chamada pública de R$ 150 milhões para ampliar e interiorizar a infraestrutura científica e tecnológica. Foram aprovadas 17 propostas, totalizando R$ 148,8 milhões, incluindo cinco projetos do Pará que somam R$ 38,3 milhões.
O Ministério também trabalha com uma carteira de R$ 100 milhões em subvenção à inovação empresarial, focada na bioeconomia e no desenvolvimento regional. O Pará já tem R$ 2,7 milhões aprovados e R$ 32,7 milhões em análise. Outra iniciativa é o programa Pró-Amazônia Empreende, lançado em 2026, com R$ 50 milhões para apoiar projetos inovadores de pequenas empresas na Amazônia Legal, com prazo para envio de propostas até 6 de dezembro de 2026.
Museu das Amazônias: ponto de encontro entre ciência e sociedade
A reabertura do Museu das Amazônias (MAZ), que recebeu R$ 20 milhões do Ministério para sua implementação, foi destaque na agenda da ministra. O espaço representa um importante elo entre a produção científica e a sociedade. “O MAZ é um legado da COP30 e evidencia uma nova forma de aproximar a ciência da população. Nosso investimento reforça o compromisso de transformar esse espaço em referência para divulgação científica, educação e valorização dos conhecimentos regionais”, afirmou Luciana Santos.
Ela defende que o museu funcione como um ambiente integrador entre ciência, cultura, pesquisa, educação e sustentabilidade. Além das exposições, o MAZ deve fomentar o intercâmbio entre pesquisadores, comunidades tradicionais, instituições acadêmicas e visitantes, promovendo a popularização da ciência e o diálogo entre saberes tradicionais e inovação tecnológica.
O fortalecimento da parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi foi destacado como fundamental para aproximar produção acadêmica das tecnologias e conhecimentos indígenas e tradicionais. “A Amazônia precisa ser compreendida em toda sua diversidade, e esse conjunto de saberes tem papel essencial nessa missão”, ressaltou.
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Descentralização da ciência no interior do Pará
A ministra reforçou a necessidade de ampliar o acesso à pesquisa e à formação tecnológica também no interior do estado. A descentralização dos investimentos é uma prioridade para garantir que universidades, institutos tecnológicos, empresas e organizações locais possam desenvolver soluções adequadas às demandas de seus territórios. Os recursos da Finep já contemplam projetos fora de Belém, enquanto outras ações do CNPq fortalecem pesquisadores e instituições paraenses em diversas regiões.
Esse fortalecimento da pesquisa regional contribui para a geração de oportunidades econômicas e para a valorização dos profissionais que produzem conhecimento na Amazônia.
Desafios políticos e defesa da ciência como política de Estado
Ao abordar os desafios políticos para a continuidade dos investimentos, Luciana Santos reconheceu a existência de resistências, especialmente diante do Congresso Nacional eleito em 2026 e das diferenças ideológicas. No entanto, ela aposta na capacidade de articulação institucional para manter os recursos e programas. “Apesar do negacionismo presente na extrema-direita, a força das políticas de Ciência, Tecnologia e Inovação consegue prevalecer”, declarou.
Ela citou episódios do governo anterior, como a tentativa de desfinanciamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que foram revertidos pelo Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia. A ministra defende que a ciência ultrapasse as disputas partidárias e seja encarada como agenda estratégica de desenvolvimento nacional.
Com experiência parlamentar e passagem pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Luciana Santos valoriza o diálogo com o Legislativo para garantir a continuidade das políticas de pesquisa e inovação. “Nossa disposição é conversar com todas as forças políticas para preservar os investimentos em pesquisa, inovação e formação de talentos”, reforçou.
Ao concluir, destacou que investir em conhecimento é fundamental para autonomia, soberania e competitividade do Brasil. “Nenhum país alcança desenvolvimento sem esse investimento. Seguiremos atuando para que a ciência brasileira continue avançando”, finalizou a ministra.
