A crise no transporte coletivo de Belém
Recentemente, a cidade de Belém enfrentou uma situação crítica com a apreensão de quatorze ônibus do tipo ‘geladão’, que fazem parte do sistema de transporte coletivo. A decisão foi tomada pela instituição financeira responsável pelo financiamento dos veículos, refletindo a deterioração do cenário econômico enfrentado pelas empresas do setor. Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel), a apreensão ocorreu devido à incapacidade das empresas de honrar os compromissos financeiros assumidos durante a aquisição da frota.
Esses ônibus apreendidos pertencem à Auto Viação Monte Cristo, que teve 12 veículos confiscados, e à Transportes Canadá, que perdeu 2 ônibus. O Setransbel emitiu uma nota, destacando que a situação é resultado do atual desequilíbrio econômico-financeiro do transporte coletivo em Belém e na Região Metropolitana. O sindicato salienta que a tarifa pública vigente não está alinhada com a planilha técnica aprovada pelo Conselho Municipal de Transporte em 2025, mesmo após um acordo judicial estabelecido com o poder público.
O impacto do aumento dos custos operacionais
O acordo mencionado pelo Setransbel previa a remuneração necessária para garantir a renovação da frota, o que resultou na aquisição de aproximadamente 300 novos ônibus do modelo ‘geladão’. No entanto, o aumento constante do custo do diesel, que pode representar até 40% das despesas operacionais das empresas, tem prejudicado a capacidade de pagamento dos financiamentos. Essa situação gera um efeito dominó, colocando outras empresas associadas ao sindicato em risco de enfrentar medidas semelhantes de apreensão.
A reportagem do Grupo Liberal buscou um posicionamento da Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém, bem como da Prefeitura de Belém, a respeito das apreensões e dos possíveis impactos no sistema de transporte. Até o momento, a resposta está pendente. Também foram realizadas tentativas de contato com as empresas afetadas pela apreensão, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço continua aberto para quaisquer posicionamentos que possam ser feitos.
As apreensões dos geladões refletem um alarmante desafio enfrentado pelo transporte coletivo da capital paraense, levantando questões sobre a viabilidade econômica do sistema e o futuro do serviço prestado à população. Com a expectativa de que a situação se agrave, é fundamental que tanto o poder público quanto as empresas do setor encontrem soluções eficazes para garantir um transporte de qualidade e acessível para os cidadãos belenenses.
