Baile da Matinta valoriza tradições e identidade amazônica
O Centro Integrado de Inclusão e reabilitação (CIIR), em Belém, foi palco de uma celebração que une cultura e reabilitação. Na última sexta-feira (30), o Baile da Matinta trouxe à tona as lendas regionais, reunindo profissionais, usuários e familiares em um evento marcado por desfiles de fantasias, apresentações teatrais, musicais e de dança. A iniciativa, promovida pelo setor de Arte e Cultura do CIIR, mantém há cinco anos essa tradição como forma de aproximar o público das manifestações culturais do Norte do Brasil, especialmente aquelas ligadas ao imaginário amazônico e à popular lenda da Matinta Perera.
Preservação cultural como parte do cuidado
Paula Barros, professora de Teatro, ressalta que manter vivas essas histórias é essencial para fortalecer a identidade cultural local e o sentimento de pertencimento. Ela destaca que, frente à facilidade de acesso a referências culturais globais, as narrativas regionais correm risco de desaparecer, tornando necessário criar espaços para sua continuidade. “Valorizar o que temos aqui na nossa terra é fundamental. As narrativas orais que marcaram nossa infância estão se perdendo. Por isso, precisamos trazer à frente as histórias da Amazônia e reconhecer nossa identidade regional, nossos costumes e nossa cultura”, afirma Paula. Para ela, essa valorização integra uma visão ampliada do cuidado, que respeita as experiências e referências culturais de cada indivíduo.
Arte e cultura no processo de reabilitação
No CIIR, a arte não é apenas expressão cultural, mas parte integrante do tratamento. O setor de Arte e Cultura desenvolve atividades que estimulam a criatividade, a convivência e a participação social dos usuários, contribuindo para a reabilitação. Denise Morais, supervisora do setor, explica que a proposta é ampliar as vivências dentro do ambiente de saúde, reconhecendo a arte como um componente essencial do cuidado integral. “Participamos do processo de reabilitação dos usuários por meio da inserção da cultura e da oferta de atividades artísticas, para que eles tenham esse acesso ainda dentro do centro de reabilitação. Esse é um espaço democrático, em que saúde, arte e cultura caminham integradas”, destaca Denise.
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Impacto positivo na rotina das famílias
Para as famílias, as atividades culturais promovidas pelo CIIR representam momentos preciosos de convivência e aprendizado. Dilly Santos, mãe de Heitor Gemaque, usuário do Núcleo de Atendimento ao Transtorno do Espectro Autista (Natea) desde 2019, conta que as oficinas de artes visuais, música e teatro foram fundamentais para o desenvolvimento do filho. “Como mãe, é maravilhoso ter essa oportunidade. O Heitor cresceu como criança e como pessoa. Ele ama arte e pintura, e a terapia de Arte e Cultura foi essencial para o desenvolvimento dele. Eu só tenho a agradecer pela oportunidade de estar aqui e fazer parte da família CIIR”, relata Dilly. Ela também ressalta que momentos como o Baile da Matinta ajudam a criar laços familiares e aproximam as novas gerações das raízes amazônicas.
Referência estadual em reabilitação
O CIIR é referência estadual na assistência de média e alta complexidade para Pessoas com Deficiência (PcD) visual, física, auditiva e intelectual. O acesso aos serviços ocorre por encaminhamento das unidades de saúde via Central de Regulação Municipal, que direciona os pedidos para a Regulação Estadual, onde o perfil do usuário é analisado pelo Sistema de Regulação Estadual (SER). O órgão é gerido pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e está localizado na Rodovia Arthur Bernardes, nº 1000, bairro Val-de-Cães, em Belém.
