Marina Silva e seu impacto no Meio Ambiente
Marina Silva deixa o cargo de ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima nesta quarta-feira (1º), após mais de três anos liderando a pasta. Sua saída abre espaço para João Paulo Capobianco, atual secretário-executivo e aliado de longa data desde os primeiros mandatos de Lula. A troca de comando será oficialmente registrada em edição extra do Diário Oficial da União.
Durante sua gestão, Marina foi fundamental para a drástica redução do desmatamento na Amazônia, além de intensificar a luta contra crimes ambientais e ampliar mecanismos de financiamento verde. O Brasil ainda teve a honra de sediar a COP30, conferência mundial sobre mudanças climáticas, em Belém (PA). Contudo, seu período no ministério também enfrentou desafios significativos, como a autorização para exploração de petróleo na bacia Foz do Amazonas e o avanço de legislações que muitos ambientalistas consideraram um “pacote da destruição”.
O futuro sob nova direção
João Paulo Capobianco, que assume a liderança do ministério, traz consigo uma sólida formação acadêmica, com graduação em ciências biológicas pela Universidade de Santo Amaro e doutorado em ciência ambiental pela USP. Sua trajetória no ativismo ambiental começou na década de 1980, com a fundação de organizações como a SOS Mata Atlântica e o Instituto Socioambiental. Desde então, ele tem atuado em diversas funções no governo, incluindo a liderança do ICMBio, instalado em 2007 e uma das bandeiras de Marina Silva.
A nomeação de Capobianco não está isenta de controvérsias, uma vez que ele é sócio da Construcap, uma empresa que venceu um leilão federal para administrar o Parque Nacional de Jericoacoara (CE). A possibilidade de conflito de interesses foi levantada, mas o governo federal garantiu que não houve irregularidades no processo, que foi auditado pelo Tribunal de Contas da União.
Desafios e conquistas na gestão ambiental
Um dos maiores legados de Marina foi a reestruturação do PPCDAm, plano que visa controlar o desmatamento na Amazônia. Durante sua primeira passagem pela pasta, o plano ajudou a reduzir a derrubada de florestas de 27,8 mil km² em 2004 para 4.600 km² em 2012, o índice mais baixo registrado até então, segundo o Inpe. No entanto, com a descontinuidade do programa durante o governo Bolsonaro, o desmatamento voltou a crescer, atingindo picos alarmantes, como os 13 mil km² em 2021.
Com a volta do PPCDAm e o fortalecimento das ações de fiscalização do Ibama, a taxa de desmatamento começou a cair novamente, prevendo-se uma redução para 5.700 km² em 2025. “Esses números são comparáveis a conquistas sociais significativas, embora a importância social não possa ser medida da mesma forma”, afirmou Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, destacando o impacto positivo das iniciativas de Marina Silva.
Um cenário político desafiador
A nova gestão de Capobianco terá que enfrentar um cenário político complexo. Desde 2023, o Congresso tem reduzido as atribuições do Ministério do Meio Ambiente e aprovado diversas propostas que flexibilizam o licenciamento ambiental. A pressão do agronegócio e a resistência a técnicas de monitoramento ambiental, como os embargos remotos, são desafios imediatos. Parlamentares estão propondo a proibição dessa estratégia, que utiliza imagens de satélite para identificar infratores ambientais.
Apesar de suas vitórias, Marina Silva também enfrentou reveses, com suas propostas de criação da Autoridade Climática travadas na Casa Civil. Além disso, o governo ainda está ampliando a exploração de combustíveis fósseis, uma situação que contrasta fortemente com os esforços para uma agenda ambiental mais robusta.
O futuro do meio ambiente no Brasil
As próximas ações do novo ministro serão cruciais para determinar o rumo da política ambiental brasileira. O fortalecimento do Fundo Amazônia e a criação de parcerias com o Ministério da Fazenda para financiar iniciativas verdes, como o Ecoinvest, são passos em direção à sustentabilidade. No entanto, o cenário é desafiador, e Capobianco terá que navegar por uma política repleta de interesses conflitantes e uma opinião pública cada vez mais consciente da importância da preservação ambiental.
