Aumento Expressivo nos Preços de Hortaliças
Os preços de hortaliças, verduras e legumes em Belém têm impactado cada vez mais o orçamento dos consumidores. Um levantamento recente realizado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE/PA) revela que os alimentos básicos estão em uma trajetória de alta, com aumentos significativos tanto no curto prazo quanto no acumulado de um ano. A pesquisa analisou dados entre fevereiro e março de 2026 e registrou reajustes em quase todos os itens examinados.
Entre os produtos com maior aumento, a beterraba se destaca, apresentando uma alta mensal de 17,20%, seguida de perto pela cebola, com 17,09%, cenoura (15,68%) e batata (13,64%). Além disso, itens comuns na mesa das famílias paraenses, como couve (13,21%), repolho (12,80%) e chuchu (12,50%), também tiveram elevação nos preços. No entanto, algumas quedas foram identificadas, como no caso do jambu, que registrou uma redução de 4,43%, e o pimentão verde, com queda de 1,83%, mas esses recuos não foram suficientes para conter a onda de aumentos.
Acumulados do Primeiro Trimestre de 2026
Analisando o primeiro trimestre de 2026, a pesquisa do DIEESE mostra que diversos produtos tiveram reajustes bem acima da inflação, que está estimada em cerca de 1,5% para o mesmo período. Novamente, a beterraba aparece em destaque, com uma impressionante alta de 33,55%, seguida pela cenoura (25,93%), chuchu (25,08%) e jambu (23,17%). Outros itens que reforçam essa tendência de encarecimento incluem repolho (22,52%), quiabo (22%) e batata (20,19%).
Fatores que Influenciam os Preços
Everson Costa, supervisor técnico do DIEESE, aponta que o comportamento dos preços é influenciado por fatores como a sazonalidade da produção e as condições climáticas do inverno amazônico, que é caracterizado por chuvas intensas. Além disso, os custos logísticos também desempenham um papel crucial. As condições das estradas e o aumento nos preços dos combustíveis, especialmente do diesel, impactam diretamente o transporte e, consequentemente, elevam o custo final dos produtos nas feiras e supermercados.
“Em um estado com dimensões territoriais amplas como o Pará, que depende fortemente do transporte rodoviário e hidroviário, o efeito dos custos logísticos é ainda mais acentuado. Esse aumento é rapidamente repassado aos preços praticados em feiras e supermercados. Podemos associar essa situação a um processo inflacionário que envolve fatores climáticos, logísticos e de custos estruturais, o que amplifica os efeitos sociais da alta dos alimentos”, afirma Costa.
Consequências Econômicas para as Famílias
O resultado desse cenário, de acordo com o especialista, é uma pressão crescente sobre o custo de vida, especialmente para as famílias de menor renda, que acabam comprometendo uma parte significativa do seu orçamento com despesas alimentares. A situação se torna preocupante, já que a alimentação é uma das principais preocupações financeiras para muitos paraenses, e os constantes aumentos nos preços dos produtos básicos podem levar a um impacto ainda maior na qualidade de vida e na segurança alimentar dessas famílias.
