Queda no custo da cesta básica em Belém não é sentida pelos consumidores
O preço da cesta básica em Belém registrou uma redução de 2,07% em agosto, conforme levantamento do Dieese/PA em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O valor do conjunto dos 12 produtos essenciais passou de R$ 724,10 em julho para R$ 709,12 no mês seguinte, uma retração de R$ 14,98. No entanto, a percepção dos consumidores indica que essa queda não chegou de forma efetiva às compras do dia a dia.
Em um supermercado da capital paraense, a aposentada Elza Lopes afirmou não ter notado qualquer diminuição nos preços dos alimentos que costuma adquirir. “Aqui nunca cai o preço. Não observei nenhuma queda”, comentou. Ela destacou que o único produto que percebeu alguma redução foi o açaí, bastante consumido na região, e que ainda conta com parte dos alimentos provenientes do Marajó, sua terra natal.
A estudante de Contabilidade Edine Macedo reforçou essa impressão ao afirmar que os preços subiram e que a cesta está mais cara para itens como verduras, açúcar, feijão e arroz. Da mesma forma, o autônomo Joel Rosa, que frequenta o supermercado diariamente, apontou que não houve queda e que a carne bovina, por exemplo, chegou a custar R$ 52 o quilo, aumentando o impacto no orçamento.
Tomate é o principal responsável pela redução, mas queda pode ser temporária
Segundo o Dieese/PA, o principal produto que puxou a queda do custo da cesta foi o tomate, com redução de 16,02%. Outros alimentos que ficaram mais baratos foram açúcar (-4,40%), feijão carioca (-2,70%), café em pó (-2,68%), óleo de soja (-1,17%), farinha de mandioca (-1,08%) e banana (-0,44%).
No entanto, cinco produtos apresentaram alta em agosto: carne bovina de primeira (2,58%), arroz agulhinha (1,02%), manteiga (0,85%), leite integral (0,74%) e pão francês (0,12%). O Dieese alerta para a necessidade de cautela na análise da queda do tomate, pois esse alimento sofre influência de fatores sazonais, condições climáticas e custos de comercialização, o que pode gerar oscilações significativas mês a mês.
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Fonte: soudejuazeiro.com.br
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Fonte: novaimperatriz.com.br
Alta acumulada mantém preço da cesta básico acima do início do ano
Apesar da retração em agosto, o preço da cesta básica em Belém continua acima do registrado no começo de 2026. De janeiro a agosto, o valor subiu de R$ 666,57 para R$ 709,12, acumulando alta de 6,38%. Esse aumento está acima da inflação estimada em cerca de 3,5% no mesmo intervalo.
Dos 12 produtos avaliados, oito tiveram aumento no ano. O feijão carioca lidera a alta, com 57,45%, seguido pelo tomate (11,16%), carne bovina de primeira (9,94%), arroz (7,87%), banana (6,61%), leite (4,59%), manteiga (2,87%) e pão francês (1,86%). Por outro lado, farinha de mandioca (-22,84%), óleo de soja (-14,99%), café em pó (-10,92%) e açúcar cristal (-10,31%) tiveram queda de preços desde o início do ano.
Nos últimos 12 meses, entre agosto de 2025 e agosto de 2026, a cesta básica em Belém acumulou alta de 3,17%, passando de R$ 687,10 para R$ 709,12. O feijão se mantém como destaque, com aumento de 60,37%, seguido pela carne bovina (17,30%) e banana (13,49%).
Alimentação compromete quase metade do salário mínimo em Belém
O levantamento também revela o peso da alimentação no orçamento dos trabalhadores que recebem salário mínimo. Em agosto, quem ganha o piso nacional e mora em Belém destinou cerca de 47,29% da remuneração líquida para comprar os 12 produtos da cesta básica.
Levando em conta uma jornada mensal de 220 horas previstas em lei, foram necessárias aproximadamente 96 horas e 14 minutos de trabalho para adquirir esses alimentos. Isso evidencia o esforço significativo para garantir o básico na mesa das famílias paraenses.
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Fonte: soudesaoluis.com.br
Belém registra a segunda cesta básica mais cara da Região Norte
Além de Belém, outras capitais brasileiras também apresentaram queda no preço da cesta básica em agosto, com redução em 25 das 27 cidades pesquisadas pelo Dieese e Conab. Na Região Norte, todas as sete capitais tiveram retração, sendo a maior em Rio Branco (-4,68%), seguida por Manaus (-4,55%), Boa Vista (-4,47%), Porto Velho (-2,93%), Belém (-2,07%), Palmas (-1,82%) e Macapá (-1,49%).
Mesmo assim, Belém teve a segunda cesta básica mais cara da região, com custo total de R$ 709,12, atrás apenas de Palmas (R$ 718,54). No âmbito nacional, o trabalhador comprometeu, em média, 48,46% do salário mínimo líquido com alimentação em agosto.
O Dieese também estimou que, para manter uma família de quatro pessoas, seria necessário um salário mínimo de R$ 7.565,86, considerando despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. Esse valor equivale a 4,67 vezes o salário mínimo vigente, que é de R$ 1.621.
Preços dos produtos da cesta básica em agosto de 2026 em Belém
Confira os preços médios dos principais itens que compõem a cesta básica na capital paraense, segundo dados da Conab e Dieese/PA:
- Carne bovina: R$ 46,44 por kg
- Leite integral: R$ 8,21 por litro
- Feijão carioca: R$ 8,66 por kg
- Arroz agulhinha: R$ 4,95 por kg
- Farinha de mandioca: R$ 8,21 por kg
- Tomate: R$ 8,07 por kg
- Pão francês: R$ 17,01 por kg
- Café em pó: R$ 61,70 por kg
- Açúcar cristal: R$ 3,48 por kg
- Óleo de soja: R$ 8,45 por 900 ml
- Manteiga: R$ 63,14 por kg
- Banana: R$ 11,44 por dúzia
Custo total da cesta básica: R$ 709,12.
