O Papel dos Consensos na Saúde Portuguesa
No International Club of Portugal, Campos Fernandes foi o orador de um almoço onde anunciou sua nomeação pelo Presidente da República para liderar a construção de um Pacto Estratégico para a Saúde. Ao término do evento, o ex-ministro do Governo PS expressou sua honra com a escolha e recordou as promessas de António José Seguro, que tinha a intenção de dedicar o primeiro ano de sua presidência a aprimorar o sistema de saúde do país.
Questionado sobre a inclusão de partidos nas discussões para a formação do pacto, Campos Fernandes preferiu não entrar em muitos detalhes. No entanto, enfatizou que a política é um campo democrático, onde o consenso é essencial. “O país precisa, ao contrário do que se pensa, de muito mais consensos do que de divisões. Estamos muito focados na ideia de conflitos”, comentou.
Reformas Necessárias e a Busca por Eficiência
Durante sua palestra, que abordou as reformas do Estado, Campos Fernandes destacou que é possível alcançar melhores resultados em saúde mesmo com recursos limitados. Essa perspectiva foi reafirmada em suas colocações finais. “Acredito que o governo atual tem essa consciência. Todos os governos passados sabem que precisamos combater a ineficiência e o desperdício, para garantir acesso a melhores medicamentos e unidades de saúde”, explicou.
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No encontro, que contou com a presença de figuras como o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e outros ex-governantes na área da Saúde, Campos Fernandes sublinhou a necessidade de responsabilidade coletiva em relação ao insucesso dos governos anteriores na saúde. “Ninguém está isento de responsabilidades nesta matéria, incluindo a atual ministra da Saúde”, declarou.
Desafios da Saúde em Números
O ex-ministro também trouxe à tona dados preocupantes, como os 1,7 milhões de portugueses sem médicos de família e o aumento das listas de espera. Para ele, a elevada despesa com saúde é um sinal de alerta para os responsáveis políticos. “Portugal não pode suportar o crescimento acelerado das despesas públicas em saúde sem uma maior eficiência”, alertou.
Campos Fernandes defendeu que a falha na saúde do país não se deve à falta de recursos financeiros. “É possível fazer o SNS com menos dinheiro, tanto no meu tempo quanto durante o governo de Paulo Macedo. Sempre é viável fazer mais com menos, e afirmar o contrário é uma irresponsabilidade que impede as novas gerações de terem salários adequados”, afirmou.
Expectativas sobre Reformas Estruturais
Ao se referir à pesquisa conduzida pela Faculdade de Economia do Porto sobre reformas estruturais em Portugal, Campos Fernandes demonstrou interesse no trabalho do professor Óscar Afonso, que é coordenado por Passos Coelho e o ex-deputado do PS Sérgio Sousa Pinto. Ele ressaltou, no entanto, a importância de ações concretas, não apenas promessas. “Um Estado que deseja se reformar não faz anúncios. Seja o Governo A, B ou C, o mais frustrante é criar expectativas não cumpridas. As reformas devem ser realizadas, avaliadas e discutidas posteriormente”, concluiu, criticando ainda a prática de nomeações políticas para altos cargos na administração pública.
