Impactos do Acordo UE-Mercosul na Economia Brasileira
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia começa a ser aplicado de forma provisória nesta sexta-feira (1º), após mais de 20 anos de negociações. A implementação será gradual, mas já está gerando efeitos imediatos nas exportações brasileiras. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% dos produtos enviados pelo Brasil ao bloco europeu terão tarifa de importação zerada nessa fase inicial.
No total, cerca de 5 mil itens brasileiros entram no mercado europeu sem impostos, ampliando significativamente o acesso das empresas nacionais. Apesar de o Brasil ser o grande beneficiado, concentrando a maior parte do comércio do Mercosul com a União Europeia, os ganhos não serão uniformes entre os diversos setores e regiões do país.
Estimativas do governo indicam um impacto positivo, mas modesto, de 0,3% a 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB) até 2040, com efeitos mais acentuados nas atividades ligadas ao comércio exterior. A professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Regiane Bressan, destaca que o acordo oferece novas oportunidades, mas também expõe as fragilidades estruturais do Brasil. “Ele é vantajoso para quem já se mostra competitivo, mas pode pressionar aqueles que dependem mais do mercado interno”, comenta.
Setores que Ganham no Curto Prazo
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Fonte: vitoriadabahia.com.br
O agronegócio voltado para a exportação deverá ser o setor que mais se beneficiará rapidamente, dada sua competitividade e a estrutura do acordo. Produtos brasileiros como carnes de aves e suínas, óleos vegetais, açúcar, etanol para uso industrial e café não torrado têm grande potencial para aumentar suas vendas na União Europeia. Embora o acesso ao mercado europeu siga limitado por cotas em itens sensíveis, a expansão do volume autorizado representa uma melhoria significativa em relação ao comércio atual.
Esse cenário tende a favorecer principalmente o Centro-Oeste, onde estão localizados grãos e proteína animal, além de partes do Sul, que possuem uma forte presença na agroindústria exportadora.
Benefícios para a Indústria Exportadora
O acordo também traz vantagens imediatas para a indústria exportadora. Dados da CNI mostram que entre os 2.932 produtos brasileiros com tarifa zerada, cerca de 93% são bens industriais. Os setores mais beneficiados incluem máquinas e equipamentos, metalurgia, materiais elétricos, produtos químicos e alimentos industrializados. Em máquinas e equipamentos, por exemplo, cerca de 96% das exportações brasileiras para a Europa passaram a entrar sem tarifas, incluindo compressores e peças mecânicas.
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
A eliminação das tarifas é crucial, pois reduz custos e aumenta a competitividade das empresas brasileiras em relação a concorrentes de países que não possuem acordos comerciais com o bloco europeu.
Oportunidades no Médio e Longo Prazo
A indústria brasileira que depende de insumos, máquinas e componentes europeus também poderá colher benefícios a longo prazo. Atualmente, as tarifas que chegam até 35% encarecem produtos importados da União Europeia. Com a eliminação progressiva dessas tarifas, as empresas terão a chance de reduzir custos de produção, aumentar a eficiência e melhorar a competitividade até mesmo no mercado interno.
Entre os setores que podem se beneficiar estão a indústria química, farmacêutica, autopeças, além de segmentos que dependem muito de tecnologia avançada. Especialistas alertam, no entanto, que esses ganhos exigem investimentos e um ambiente de negócios mais favorável no Brasil.
Riscos para Setores Menos Competitivos
Por outro lado, o acordo pode aumentar a pressão sobre setores industriais que ainda são menos competitivos, especialmente aqueles voltados para o mercado interno e com capacidade de inovação reduzida. Embora os prazos para a redução das tarifas sejam longos, a expectativa é de uma intensificação gradual da concorrência com produtos europeus de maior valor agregado. Isso pode não levar ao fechamento imediato de fábricas, mas sim a uma perda progressiva de participação de mercado, principalmente no Sudeste, que é o principal polo industrial do país.
Desafios para a Agricultura Familiar e Pequenos Produtores
A agricultura familiar e pequenos produtores também estão entre os grupos que observam o acordo com preocupação. Segmentos como queijos, vinhos e produtos artesanais poderão enfrentar desafios, já que a concorrência com produtos europeus muitas vezes subsidiados e produzidos em larga escala pode dificultar a permanência desses produtores no mercado interno. Apesar de o tratado proteger algumas indicações geográficas brasileiras, o receio é que a competição acabe ameaçando a sobrevivência de pequenos negócios.
