A trajetória de Déa Maiorana
Nascida em 10 de maio de 1934, na cidade de Monte Alegre, a mais de mil quilômetros de Belém, no estado do Pará, Déa Maiorana enfrentou uma infância repleta de desafios. Proveniente de uma família humilde, chegou a viver seus primeiros anos em um orfanato, onde se moldou para a vida que viria a levar.
Recentemente, a paraense faleceu em São Paulo, onde recebia assistência médica. A família não divulgou a causa da morte. O velório acontece a partir das 11h desta sexta-feira (1º), no Cemitério e Horto da Paz, localizado na rua Horto da Paz, número 191, em Itapecerica da Serra.
Contribuições para a comunicação e a cultura
Ao lado de seu esposo, Romulo Maiorana, com quem teve sete filhos, Déa foi uma figura essencial na evolução da comunicação no Pará. Em 1966, o casal assumiu o jornal O Liberal, que estava prestes a encerrar suas atividades. Sob a liderança de Déa e Romulo, o impresso se transformou em um dos veículos de comunicação mais influentes do Brasil.
Em 1976, a paraense foi uma das fundadoras da TV Liberal, afiliada da Globo no Pará, que foi inaugurada em 27 de abril do mesmo ano. Essa iniciativa solidificou ainda mais a presença da família Maiorana no setor da comunicação.
A mudança para Belém e a ascensão nos negócios
Déa mudou-se para Belém durante a adolescência para viver com a avó. Nesse período, o destino lhe reservou um encontro que mudaria sua vida: o jornalista e empresário Romulo Maiorana, seu vizinho. Juntos, eles construíram uma história marcada por realizações.
Com a morte de Romulo em 1986, Dona Déa assumiu a presidência das empresas do grupo. Sob sua liderança, a organização enfrentou as dificuldades da modernização tecnológica e se adaptou aos novos tempos. Ela esteve à frente de decisões importantes que marcaram a evolução da imprensa no estado.
Compromisso social e legado cultural
Além de suas contribuições no campo empresarial, Déa Maiorana também se destacou pelo seu incentivo à educação e às artes. Ela foi uma das principais apoiadoras do projeto Arte Pará, criado em 1982, que atua na promoção, mapeamento e difusão da produção artística da Amazônia, buscando dar visibilidade a artistas locais e fomentar o diálogo cultural no país.
A fé católica também guiou as ações de Déa, que, no início dos anos 2000, ajudou a fundar o Instituto Criança Vida, uma iniciativa voltada para atender jovens em situação de vulnerabilidade social.
Reconhecimento e legado
Pela sua dedicação ao estado do Pará e suas contribuições significativas, Déa Maiorana recebeu várias honrarias, incluindo o grau de comendadora da Ordem ao Mérito Grão-Pará e a Ordem ao Mérito da Assembleia Legislativa. Seu legado é palpável nas instituições que ajudou a criar, assim como na memória de uma sociedade que a presenciou transformar suas adversidades pessoais em um forte pilar de desenvolvimento para a região.
