Crescimento sólido no mercado de seminovos do Pará
O mercado de seminovos no Pará apresentou um avanço significativo de 17,9% no primeiro quadrimestre de 2026, segundo dados da Associação dos Revendedores de Veículos Automotores no Estado do Pará (Assovepa). Entre janeiro e abril, foram transferidas 110.682 unidades, um volume que supera a média nacional e mostra a força da região frente ao cenário automotivo brasileiro.
Esse crescimento está alinhado à busca dos consumidores por veículos com melhor custo-benefício, especialmente diante do cenário de juros elevados. A preferência por modelos de até três anos de uso contribuiu para o destaque da categoria, que registrou alta de 26,5% no mesmo período. Em abril, o Pará contabilizou 31.086 transferências, com uma média diária de 1.727 negociações por dia útil, 22,7% acima do desempenho de abril de 2025.
Segmentos diversos impulsionam o mercado paraense
Todos os segmentos de veículos usados tiveram resultados positivos no Pará. Automóveis cresceram 16,7%, motocicletas 17,4% e comerciais leves 22,6%, refletindo uma demanda diversificada e consistente. O presidente da Assovepa, Aldo Oliveira, destacou que o estado segue a tendência nacional, porém mantém um ritmo próprio e consistente de crescimento.
Oliveira também ressaltou o impacto da taxa Selic, que terminou abril em 14,5% ao ano após cortes na política monetária. Embora os financiamentos de longo prazo se tornem mais caros, o setor de seminovos se beneficia do tíquete médio inferior em comparação aos veículos zero-quilômetro, facilitando a aquisição por parte dos consumidores. Essa dinâmica tem levado os compradores a optarem por veículos usados mais recentes, que oferecem equilíbrio entre preço e qualidade.
Influência dos modelos chineses na dinâmica do mercado
Outro fator que tem modificado o cenário é a chegada de montadoras estrangeiras, especialmente chinesas, focadas em veículos elétricos. Mauro Cleber, organizador de feirões automotivos, aponta que modelos compactos elétricos da BYD e outras marcas chinesas, com preços inferiores a R$ 100 mil, têm alterado a concorrência tanto para veículos novos quanto para seminovos.
Essa nova configuração força os veículos novos a se adaptarem a essa realidade, o que tem pressionado para baixo a tabela Fipe dos seminovos. Como resultado, as revendas precisam manter estoques enxutos e controlar rigorosamente os preços para se manterem competitivas, oferecendo automóveis novos com valores próximos aos usados.
Projeção de recorde nas vendas de seminovos no Brasil
Em âmbito nacional, a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) divulgou que o Brasil comercializou 5,9 milhões de seminovos no primeiro quadrimestre de 2026, um crescimento de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior. A média diária em abril chegou a 85.006 unidades negociadas por dia útil.
Estados como Minas Gerais também tiveram números expressivos, com 183.809 veículos usados vendidos em abril e 710.286 unidades no acumulado do ano. O Volkswagen Gol lidera as vendas locais, com 9.330 unidades comercializadas. A Fenauto projeta que o mercado brasileiro deve ultrapassar seis milhões de veículos usados vendidos em 2026, estabelecendo um novo recorde histórico.
Resumo do desempenho no Pará (1º quadrimestre de 2026)
– Total de transferências: 110.682 unidades, alta de 17,9% em relação a 2025, cerca de 17 mil veículos a mais
– Vendas em abril: 31.086 veículos comercializados
– Média diária em abril: 1.727 negociações, 22,7% acima do ano anterior
– Modelos com até 3 anos: crescimento de 26,5% no acumulado
– Crescimento por segmento: automóveis (+16,7%), motocicletas (+17,4%), comerciais leves (+22,6%)
