Brasil destaca mobilidade elétrica em conferência global
A COP31, que ocorrerá de 9 a 20 de novembro de 2026 em Antalya, na Turquia, será palco para o Brasil mostrar sua experiência em eletrificação do transporte coletivo. A fabricante nacional Eletra levará exemplos de São Paulo (SP), São José dos Campos (SP) e Belém (PA), que adotaram diferentes estratégias para implantar e financiar ônibus elétricos. Milena Braga Romano, diretora-presidente da Eletra, participará dos debates internacionais para discutir como indústria, governos e instituições financeiras podem colaborar na transição energética do transporte público.
São Paulo: grande frota elétrica enfrenta desafios energéticos
São Paulo já conta com 2.009 ônibus elétricos, cerca de 15% da frota municipal, incluindo 189 trólebus, conforme anúncio feito em 30 de setembro de 2026. A cidade mantém tradição no transporte elétrico desde 1949, quando começaram a circular os primeiros trólebus. A principal mudança recente é a substituição dos ônibus a diesel por modelos elétricos a bateria, que não dependem de redes aéreas ao longo do trajeto.
Para enfrentar o alto custo inicial dos veículos elétricos, a Prefeitura criou um mecanismo de subvenção que utiliza recursos públicos e linhas de crédito nacionais e internacionais para cobrir a diferença entre os preços dos ônibus elétricos e os convencionais a diesel. Operadoras continuam responsáveis pelos investimentos em infraestrutura e parte dos custos, o que distribui o investimento ao longo do tempo.
Porém, São Paulo ainda enfrenta obstáculos, como a meta não alcançada de 2.600 ônibus elétricos até dezembro de 2024 e limitações da rede elétrica que atrasaram a instalação da infraestrutura de recarga. A Prefeitura prevê alcançar 3.300 ônibus elétricos até 2028, avaliando também alternativas como o biometano. Esses desafios mostram que a compra dos veículos é apenas uma etapa; é preciso preparar garagens, redes elétricas e gerenciar a recarga conforme a operação diária.
São José dos Campos aposta em modelo inovador de locação e financiamento
Em São José dos Campos, a Prefeitura optou por um modelo diferente, separando a compra da frota da operação do transporte. A Green Energy venceu licitação para fornecer 400 ônibus elétricos fabricados pela Eletra, por meio de locação à Urbanizadora Municipal (Urbam), empresa pública que repassa os veículos às concessionárias operadoras das linhas.
Leia também: Revolução nos Transportes: Ônibus Elétricos Chegam ao Brasil com Investimento de R$ 3,4 Milhões
Fonte: olhardanoticia.com.br
Leia também: Bonde Urbano Digital no Paraná: 93,1% de aprovação e desafios para São Paulo
Fonte: londrinagora.com.br
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 879,4 milhões para financiar a aquisição desses ônibus dentro do programa Refrota, do Novo PAC, que utiliza recursos do FGTS. O investimento total estimado é de R$ 1,139 bilhão. Essa estrutura possibilita renovar a frota mesmo quando as operadoras não têm capacidade financeira para comprar diretamente os veículos.
O projeto soma conhecimento acumulado a partir da Linha Verde, sistema em operação desde 2022 que utiliza ônibus elétricos articulados (VLPs) em um corredor com características de BRT, incluindo prioridade semafórica e embarque facilitado. A implantação dos 400 ônibus enfrenta desafios como licitações questionadas e atrasos na entrega, com previsão de conclusão em junho de 2027 e infraestrutura de carregamento em desenvolvimento até 2028. A expectativa é reduzir cerca de 31 mil toneladas de CO2 por ano com a substituição completa da frota.
Belém integra tecnologia e mobilidade metropolitana sustentável
O BRT Metropolitano da Grande Belém completou um ano de operação em 31 de outubro de 2026, reunindo 265 ônibus, dos quais 40 são elétricos da Eletra e o restante movido a diesel com tecnologia Euro 6. O sistema conecta Belém (PA) a municípios vizinhos como Ananindeua, Marituba e Castanhal, com integração entre linhas alimentadoras e serviços troncais, além de infraestrutura que inclui 13 estações e melhorias urbanísticas na BR-316.
Além da redução das emissões, o projeto visa ampliar o acesso da população ao transporte, facilitando o deslocamento para trabalho, saúde e educação. Financiamentos federais e cooperação internacional, como a participação da agência japonesa JICA, foram essenciais para a implantação. A experiência, iniciada na COP30 em Belém, mostra que a tecnologia dos ônibus precisa estar acompanhada de planejamento, cronograma e infraestrutura adequados para garantir qualidade no serviço.
Indústria nacional avança em produção e conhecimento técnico
Localizada em São Bernardo do Campo, a Eletra tem mais de um século de experiência ligada à operação de transportes. Essa base real de uso permite desenvolver veículos adaptados às condições brasileiras, como topografia, clima e demanda. Recentemente, a empresa passou a produzir chassis elétricos próprios, integrando componentes nacionais, inclusive da WEG, fortalecendo a cadeia produtiva e acelerando a fabricação.
Leia também: Memorando entre Salvador e Coimbra fortalece cooperação para preservar patrimônio histórico
Fonte: feirinhadesantana.com.br
Com vendas oficiais de 713 ônibus elétricos programados para entrega em 2026 e 2027, a Eletra atende cidades como São Paulo, São José dos Campos, Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Montes Claros (MG) e Hortolândia (SP). A empresa investe mais de R$ 270 milhões para triplicar a capacidade industrial e desenvolver veículos para novas aplicações, incluindo ônibus rodoviários elétricos e fretamento, ampliando empregos qualificados e conhecimento técnico nacional.
Consultoria técnica para acelerar a eletromobilidade
Além dos veículos, a Eletra apresentará na COP31 sua consultoria especializada, EletraConsult, que orienta operadores e gestores públicos na implantação de projetos de eletrificação. O serviço inclui avaliação das linhas, infraestrutura, financiamento e gestão operacional, aspectos fundamentais para a integração das etapas e o sucesso dos sistemas eletrificados.
Com experiência acumulada em diversas realidades brasileiras, a empresa destaca que o conhecimento técnico é seu maior ativo e que pode estabelecer parcerias internacionais para fortalecer a transição energética e a neoindustrialização do setor.
Brasil contribui com conhecimento e tecnologia na COP31
O documento “Mapa do Caminho para a Transição para o Afastamento dos Combustíveis Fósseis nos Sistemas Energéticos”, lançado pela Presidência da COP30, reforça a maturidade dos ônibus elétricos urbanos e a necessidade de investimentos em infraestrutura, financiamento e gestão. A participação brasileira na COP31, com destaque para São Paulo (SP), São José dos Campos (SP) e Belém (PA), demonstra que o país não só aprende com o mundo, mas também tem tecnologia e experiência para compartilhar.
A transição energética no transporte coletivo revela oportunidades de desenvolvimento industrial, geração de empregos e conhecimento estratégico, colocando o Brasil como protagonista no debate global sobre mobilidade sustentável. A cobertura do Diário do Transporte em Antalya acompanhará de perto essas discussões, traduzindo o impacto real para a economia, o emprego e o cotidiano das cidades brasileiras.
