Alta nos preços dos materiais impacta o mercado da construção em Belém
O avanço da guerra no Oriente Médio já reflete diretamente no orçamento dos paraenses que planejam construir ou reformar. Em Belém, itens essenciais da construção civil, como tubos de PVC, cimento, porcelanato e tintas, sofreram aumentos significativos nos últimos meses. Essa elevação, que chega a 35% em alguns casos, está ligada à valorização internacional do petróleo e ao aumento nos custos do transporte de mercadorias, segundo empresários do setor.
Essa pressão nos preços alterou o comportamento dos consumidores locais, que passaram a reduzir a frequência de compras, optando por produtos mais baratos ou adiando reformas menores. O setor aguarda que os valores se estabilizem no curto prazo, com uma recuperação gradual nas vendas prevista para o segundo semestre.
Produtos derivados do petróleo lideram reajustes
Cláudio Batista, fundador e CEO de uma das maiores redes de lojas de materiais de construção do Norte do Brasil, destaca que o aumento dos preços se intensificou a partir de março e abril, período marcado pela escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.
Segundo Batista, todos os setores das lojas foram afetados, mas os produtos que utilizam derivados do petróleo na fabricação sofreram os maiores reajustes. Tubos, conexões de PVC e itens plásticos como chuveiros elétricos, torneiras e ventiladores tiveram aumentos superiores a 35%, muito acima da inflação acumulada no período.
Frete elevado agrava cenário no Norte do Brasil
Além do impacto do petróleo, o custo do transporte tem pressionado ainda mais os preços, especialmente na Região Norte. A obrigatoriedade da tabela mínima de frete no país contribui para encarecer a chegada dos materiais a estados distantes dos grandes centros de distribuição.
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Mesmo produtos fabricados localmente, como algumas argamassas produzidas no Pará, tiveram reajustes, embora menores, devido à redução no custo do frete. No caso do cimento, o aumento foi estimado entre 12% e 15% em cerca de um mês.
Construção mais cara desacelera vendas e altera comportamento do consumidor
O aumento nos custos já reflete na desaceleração das vendas, especialmente em obras de maior porte. O cenário de juros altos e a perda do poder de compra da população fazem com que muitos consumidores reconsiderem seus projetos.
Cláudio Batista explica que o preço elevado leva a uma redução natural na procura. No Pará, onde o custo de construção já é um dos mais altos do país, reajustes de 30% em produtos básicos fazem com que clientes optem por comprar menos ou adiar a compra.
Obras grandes, realizadas por construtoras, sentem mais o impacto do aumento, sobretudo pelo preço do PVC. Já pequenas reformas conseguem absorver melhor os reajustes, ainda que o consumidor tenha adotado uma postura mais cautelosa.
Consumidores buscam alternativas para conter gastos
Para driblar o aumento, os consumidores têm buscado opções mais econômicas, priorizando a compra do essencial e, em muitos casos, adiando pequenas reformas. A estratégia visa ajustar o orçamento familiar diante da alta nos preços dos materiais.
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Expectativa de estabilização e recuperação lenta no mercado
O setor aposta em uma recuperação gradual das vendas a partir do fim do período chuvoso na região. No entanto, enquanto persistirem as tensões internacionais ligadas ao petróleo, os preços devem permanecer elevados.
O empresário prevê que, até o final do ano, o mercado deve normalizar, mas com um volume de vendas menor e preços ainda altos, o que pode limitar a retomada do setor da construção civil na região.
Setor de acabamentos também sente efeitos do conflito
Isan Anijar, presidente da Associação Comercial do Pará (ACP) e diretor comercial de empresa de revestimentos, destaca que o aumento dos custos logísticos devido à guerra no Oriente Médio já reflete nos preços dos acabamentos de alto padrão.
Além do reajuste nos insumos, o frete internacional encareceu cerca de 8% neste ano, pressionando os valores finais. Apesar disso, o setor mantém expectativa de crescimento, impulsionado pelos investimentos previstos na exploração da Margem Equatorial no Norte do país.
Confira a variação de preços de alguns materiais após o início do conflito
Lajota 67×67: de R$ 39,90 para R$ 46,90
Tubo de PVC: de R$ 99,90 para R$ 139,90
Tinta acrílica (latão): de R$ 119,90 para R$ 139,90
Serra mármore: de R$ 399 para R$ 499
Vaso sanitário: de R$ 319 para R$ 389
