Crescimento do setor de transporte por aplicativo no Pará
O Pará concentra cerca de 40 mil trabalhadores dedicados a serviços por aplicativo, incluindo motoristas de carros, pilotos de motos e entregadores de bicicleta. Deste total, 25 mil atuam na região metropolitana de Belém, segundo dados do Sindtapp (Sindicato de Motoristas de Transportes por Aplicativos do Pará). A entidade destaca um crescimento expressivo do segmento, que movimenta a economia local e impacta diretamente na geração de renda para milhares de pessoas.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ainda não dispõe de dados específicos sobre o número de trabalhadores do setor no Pará, pois suas pesquisas apresentam recortes apenas em âmbito nacional ou por grandes regiões. Apesar disso, o cenário indica uma expansão constante das atividades relacionadas a aplicativos na região.
Rotina de trabalho e desafios enfrentados pelos motoristas
Segundo Euclides Magno Júnior, presidente do Sindtapp, o crescimento do número de profissionais no setor é impulsionado pela promessa da liberdade na jornada de trabalho. No entanto, ele alerta que essa liberdade é, na prática, limitada: “O trabalho deveria ser realizado em uma jornada de 8 horas, mas muitos motoristas chegam a passar 13, 15 horas nas ruas para garantir um ganho real”.
Na última terça-feira (16), a reportagem ouviu motoristas e entregadores em bairros como Reduto e Val-de-Cans, em Belém. As opiniões variaram entre os que valorizam a autonomia para escolher horários e aqueles que relatam desgaste e desvalorização. O sindicato ressalta que busca melhorias para a categoria, enfrentando problemas como trânsito desorganizado, violência urbana e jornadas exaustivas.
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Embora as condições das ruas em Belém tenham avançado no quesito pavimentação, outros desafios permanecem. Entre as principais reivindicações do Sindtapp estão a criação de sinalizações exclusivas para embarque e desembarque de carros de aplicativo e o reforço da segurança pública para os trabalhadores.
Impacto financeiro e condições de trabalho
Euclides Magno destaca ainda que, apesar da aparente renda bruta de R$ 300 a R$ 350 para motoristas que trabalham 12 horas diárias, o valor líquido é muito menor após descontar gastos com combustível, alimentação, manutenção do veículo, lavagem e outros custos. “Quando se coloca tudo na ponta do lápis, o ganho real costuma ficar abaixo de R$ 100 por dia”, explica.
Nas ruas de Belém, histórias reais de trabalhadores refletem essa realidade. Edvaldo Silva, morador do bairro Condor e entregador de bicicleta para o iFood, reclama da redução do valor das corridas após a implementação da ferramenta “Mais Entrega”. Ele explica que as entregas deveriam remunerar cerca de R$ 7 cada para trajetos de até quatro quilômetros, mas os valores pagos variam entre R$ 2,80 e R$ 2,91 quando o profissional opta pelo programa.
“Fazendo 15 entregas a R$ 7, eu garantiria R$ 100, mas com valores baixos não chega a R$ 50. Mesmo assim, continuo porque tenho família e objetivos, como comprar um carro para transportar meus filhos autistas”, relata Edvaldo.
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Experiência e desafios de motoristas profissionais
Leandro Palhano, formado em ciências da computação e motorista de aplicativo com mais de 15 anos de atuação, reforça as dificuldades do setor. Ele trabalha cerca de 12 horas por dia e obtém uma renda bruta aproximada de R$ 300, mas o valor líquido chega a cair para R$ 100 ou R$ 120 após os custos.
“Os custos aumentaram e muitos seguem no trabalho por falta de alternativas. Eu continuo porque tenho um financiamento de carro para pagar. Antigamente, o cenário era melhor, mas agora a rotina é exaustiva, e é difícil conseguir folgas”, comenta Leandro.
Posicionamento do iFood sobre o programa +Entregas
Procurada, a empresa iFood esclareceu que o +Entregas é uma alternativa para entregadores que preferem receber por período trabalhado, ao invés de pagamento somente por pedido. O modelo oferece um valor fixo por hora disponível mais uma remuneração por cada entrega realizada, com rotas mais curtas e concentradas para garantir previsibilidade e rentabilidade.
Segundo o iFood, em Belém, os entregadores que adotaram o +Entregas já registraram ganhos médios superiores por hora em comparação ao modelo tradicional. A empresa reforça que a adesão ao programa é totalmente opcional, e os profissionais podem continuar operando pelo modelo convencional se preferirem.
