Encontro de torcidas em Belém destaca paixão pela Argentina
Enquanto a maioria dos brasileiros deve apoiar a Espanha na final da Copa do Mundo, marcada para este domingo (19), em Belém um grupo segue um caminho diferente. Formada por argentinos que vivem na capital paraense e brasileiros apaixonados pela seleção albiceleste, essa comunidade tornou a campanha da Argentina no Mundial um verdadeiro ponto de encontro, que ultrapassa as quatro linhas do futebol.
Comunidade argentina em Belém se reúne no restaurante Porteño
Segundo dados do Registro Nacional Migratório da Polícia Federal, 98.884 argentinos residem atualmente no Brasil, sendo 396 no Pará. Em Belém, parte dessa comunidade encontrou no restaurante Porteño, especializado em culinária argentina e situado no bairro de Nazaré, um espaço para acompanhar os jogos da equipe liderada por Lionel Messi. Durante a competição, o local passou a atrair também brasileiros, que entre momentos de tensão e comemorações, construíram novas amizades.
Keveni Hagata, estudante de medicina, é uma dessas pessoas. Admiradora de Messi desde os tempos do Barcelona, ela atribui ao craque o despertar de sua paixão pelo futebol. “Quando penso nos momentos mais marcantes que vivi acompanhando futebol, o Messi está no centro de todos eles. Foi ele quem me fez amar esse esporte e, sem dúvida, é o melhor jogador que já vi jogar”, afirma.
Leia também: Copa do Mundo 2026 no Tivoli Maiorana Belém traz menu temático, música ao vivo e programação especial até a final
Leia também: Lucas Pinheiro Braathen revela torcida entre Brasil e Noruega na Copa do Mundo 2024
Essa admiração a levou a acompanhar a seleção argentina durante a Copa. Agora, diante da final contra a Espanha — que conta com vários jogadores do Barcelona —, Keveni não tem dúvidas sobre quem vai torcer. “Pode ser uma das últimas grandes finais do Messi pela Argentina. Quero muito vê-lo encerrar esse ciclo conquistando mais um título.” Para ela, dividir essa decisão com quem acompanhou toda a campanha torna a experiência ainda mais especial. “Comemoramos praticamente todos os jogos juntos. Celebrar um título ao lado de quem viveu cada momento de nervosismo e alegria será inesquecível.”
Brasileiros e argentinos formam uma verdadeira família na torcida
Outro que encontrou na torcida uma forma de se sentir em casa é o pesquisador argentino Luciano Naka, responsável pela Coleção de Aves do Museu Paraense Emílio Goeldi. Morando em Belém desde março, ele conta que a Copa ajudou a amenizar a saudade da Argentina. “Já passei muitas Copas longe do meu país. Normalmente assisto aos jogos apenas com a família, torcendo contra todo mundo. Desta vez foi diferente. Encontrei um lar aqui em Belém.”
Luciano destaca que o que mais o surpreendeu foi perceber a intensidade com que muitos brasileiros viveram as partidas, igualando a paixão dos argentinos. “Conhecemos a Victoria, a Keveni e depois outras pessoas chegaram. O mais impressionante foi ver que algumas nem eram argentinas, mas sofriam tanto quanto eu durante os jogos. Foi aí que percebi que aquilo realmente tinha virado uma família.”
Leia também: Família de Ananindeua une Copa do Mundo, boi e tradição em festa que atravessa gerações
Leia também: Brasil enfrenta novo trauma após eliminação precoce na Copa do Mundo 2026
Entre os frequentadores do grupo está também Benjamin Naka, filho de Luciano, de 9 anos, que se tornou o mascote da torcida. “Eu me sinto muito honrado”, conta o menino, que brinca sobre o apelido: “Se eu não sou o protagonista, quero ser o animalzinho.” Para Benjamin, a Argentina merece a taça, mas não sem emoção. “Se ganhar fácil, não tem graça”, resume.
Futebol derruba barreiras e cria conexão em Belém
Para Bruno Cavalcante, sócio-proprietário do Porteño, o principal legado da Copa no restaurante foi mostrar o poder do futebol para aproximar pessoas de diferentes nacionalidades. “Ao longo dos anos, vimos o espaço se tornar um ponto de encontro para amantes do futebol, mas a Copa fortaleceu ainda mais essa conexão. Pessoas de perfis distintos passaram a compartilhar o mesmo ambiente para torcer, celebrar e viver o esporte com respeito.”
O empresário destaca que um dos aspectos mais marcantes foi observar brasileiros apoiando a Argentina e dividindo a mesma mesa com argentinos, reforçando que a paixão pelo futebol pode superar rivalidades históricas e unir torcidas em torno de um objetivo comum.
