Exportação em alta impulsiona a economia do Pará
Nos primeiros seis meses de 2026, o Pará exportou 115,2 mil toneladas de carne bovina, gerando uma receita de US$ 655,6 milhões. Em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram embarcadas 105,1 mil toneladas que renderam US$ 502,7 milhões, houve um crescimento de 9,7% no volume e 30,4% no valor das exportações. Esse avanço reflete tanto o aumento dos embarques quanto a valorização do preço médio da carne bovina paraense no mercado internacional, segundo dados exclusivos da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) fornecidos ao Grupo Liberal.
Pará mantém posição entre os principais exportadores do Brasil
Com esse desempenho, o Pará consolidou sua posição como o 7º maior exportador brasileiro de carne bovina, respondendo por aproximadamente 6,9% do volume e 6,7% do valor das exportações nacionais no período. A China segue como o destino dominante, absorvendo 82,5 mil toneladas da carne paraense e gerando US$ 504,1 milhões em receita, o que corresponde a 71,6% do volume e 76,9% do valor das exportações locais.
Ministério destaca crescimento e desafios para o setor
De acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o Pará registrou um crescimento de 32,2% nas exportações de carne bovina no primeiro semestre de 2026. O estado acompanhou o momento histórico do setor brasileiro, que atingiu receita recorde de US$ 9,93 bilhões, com avanço de 7,3% no volume exportado. Em junho, o Pará exportou US$ 125,8 milhões em carne refrigerada ou congelada, aumento de 25,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Cadeia produtiva beneficia-se com expansão das exportações
Para o diretor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Guilherme Minssen, o avanço comprova a competitividade da pecuária local. “O Pará continua produzindo carne de excelente qualidade e com preços competitivos”, afirma. O aumento das vendas externas beneficia toda a cadeia produtiva, desde pecuaristas até frigoríficos, com destaque para empresas como Fortefrigo, Frigorífico Rio Maria, Mafrinorte e Frigorífico Mercúrio.
Dependência do mercado chinês gera preocupação
Apesar dos resultados positivos, a concentração de 77% das exportações para a China preocupa o setor. Segundo Daniel Acatauassu Freire, presidente do Sindicarne-PA, o estado ainda não tem acesso a mercados como EUA, Europa, México e Chile, o que aumenta a vulnerabilidade da indústria frigorífica paraense. Em parceria com o Ministério da Agricultura, o setor busca habilitação sanitária para ampliar os destinos das exportações.
Impactos do fim das cotas chinesas na produção
O esgotamento antecipado das cotas de importação chinesas gerou excesso de produção em curto período, levando várias indústrias a reduzirem seu ritmo, com férias coletivas e demissões na indústria formal da carne. “A cota acabou em junho, e a estratégia de produzir intensamente para ocupá-la não foi sustentável”, explica Freire.
Reflexos econômicos do crescimento das exportações
O economista Genardo Oliveira destaca que o aumento das exportações fortalece a arrecadação estadual e gera empregos diretos e indiretos ao estimular frigoríficos, transportadoras, produtores rurais e atividades complementares, como logística e produção de rações. No entanto, alerta para o risco de redução da oferta interna e pressão nos preços caso a produção não acompanhe o crescimento das vendas externas.
Setor busca diversificação para reduzir riscos
Para enfrentar a concentração das vendas na China, a indústria paraense prioriza a abertura de novos mercados. Francisco Victer, presidente da União Nacional da Indústria da Carne e coordenador da Aliança Paraense pela Carne, afirma que o Pará está próximo de obter autorização para exportar carne bovina in natura para os EUA e negocia o retorno às vendas para Canadá, Chile e México, além de tratar com União Europeia e Rússia. Apesar dos desafios, Victer prevê retomada das compras chinesas a partir de setembro.
Cenário internacional e ciclo pecuário influenciam o mercado
Fernando Lobato, presidente da Associação Rural da Pecuária do Pará (ARPP), ressalta que o mercado é afetado pela geopolítica mundial e pelo ciclo pecuário de alta, que reduz estoques nos principais produtores, como EUA e Austrália. Após anos de baixa rentabilidade, o setor inicia uma fase de recuperação, mas o fim da cota chinesa e a taxação de 55% impõem desafios para o segundo semestre, tornando o mercado interno e a diversificação essenciais para o equilíbrio do setor.
