Índia consolida posição como destino estratégico para exportações do Pará
Entre janeiro e julho de 2026, o Pará registrou uma expressiva alta de 335,73% nas exportações para a Índia, totalizando US$ 714,2 milhões. Esse crescimento coloca o país asiático como o terceiro maior destino das vendas paraenses, uma mudança significativa na pauta comercial do estado. Essa movimentação ocorre em meio a uma reconfiguração do comércio internacional que estimula a busca por novos mercados e rotas comerciais alternativas.
No mesmo período, as importações do Pará provenientes da Índia somaram US$ 23,2 milhões, elevando a corrente de comércio bilateral para US$ 737,4 milhões. O saldo comercial positivo de US$ 690,9 milhões reforça a importância da Índia para a economia paraense. O Pará também se destaca nacionalmente, sendo o terceiro estado que mais exportou para a Índia no Brasil, com participação de 12,13% nas vendas brasileiras ao país.
Commodities minerais predominam na pauta exportadora
Apesar de diversificada, a pauta ainda é fortemente concentrada em commodities minerais. Os minérios de cobre e seus concentrados responderam por US$ 403 milhões, correspondendo a 56,43% do total exportado para a Índia. Em seguida, destacam-se os minérios de ferro e seus concentrados, com US$ 164,2 milhões (22,99%), e os sulfetos de minérios de cobre, que somaram US$ 128 milhões (17,92%).
Segundo Cassandra Lobato, gerente do Centro Internacional de Negócios da Fiepa, esse avanço reflete a necessidade indiana de ampliar o abastecimento de insumos minerais essenciais para sustentar seu processo de industrialização. Embora o Pará também exporte madeira, pimenta, feijões e gergelim, os minerais dominam o volume e o valor das vendas.
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Busca por diversificação e segurança impulsiona comércio com a Índia
A ampliação das tarifas americanas sobre produtos brasileiros acelerou a atenção do Pará para mercados alternativos, mas a mudança vai além. Cassandra Lobato destaca que os impactos dos conflitos no Oriente Médio e na Europa, que afetam rotas marítimas e custos logísticos, reforçam a importância de diversificar destinos comerciais para reduzir riscos e ampliar oportunidades.
O crescimento das exportações para a Índia não é apenas conjuntural. Ele indica a relevância crescente do mercado indiano como destino para minerais estratégicos, beneficiado também pelo Acordo de Comércio Preferencial entre Mercosul e Índia, que reduz tarifas para determinados produtos. Para a gerente da Fiepa, ampliar a infraestrutura, a conectividade marítima e a eficiência nos processos de comércio exterior é fundamental para aproveitar o potencial desse mercado.
Especialista destaca Índia como eixo de diversificação comercial para o Pará
O economista Nélio Bordalo, conselheiro do Corecon-PA/AP, avalia que a aproximação com a Índia é uma estratégia necessária diante das barreiras comerciais americanas. Ele ressalta que a Índia, com sua grande população e crescimento acelerado, apresenta forte demanda por alimentos, energia e matérias-primas, segmentos em que o Pará tem vantagem competitiva.
Bordalo enfatiza que a Índia não deve ser vista como substituta da China ou dos Estados Unidos, mas sim como um terceiro eixo de diversificação para o comércio paraense. O salto nas exportações para o país asiático responde tanto a fatores conjunturais quanto estruturais, sustentados pela demanda indiana por commodities minerais e agrícolas.
Desafio: agregar valor e desenvolver indústria local
O crescimento das vendas ao mercado indiano traz um desafio estratégico para o Pará: evitar a dependência exclusiva da exportação de matérias-primas. O economista alerta que ampliar o volume de exportação sem desenvolver o processamento industrial local seria um equívoco.
Para Bordalo, a estratégia deve incluir o beneficiamento e a transformação mineral, expandindo para a produção de materiais voltados às cadeias de aço, energia e tecnologia. No agronegócio, a recomendação é avançar do comércio de produtos primários para a oferta de óleos, proteínas, alimentos processados, ingredientes industriais e bioprodutos.
A Fiepa reforça que o aumento do fluxo comercial pode estimular investimentos em mineração, logística, infraestrutura e processamento industrial, gerando emprego e renda. Antes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), realizada em Belém, a entidade apresentou produtos paraenses, como o açaí, que despertou interesse na comitiva indiana.
O objetivo final, segundo Bordalo, é transformar a Índia em um parceiro estratégico para a próxima etapa de desenvolvimento econômico do Pará, ampliando exportações, investimentos e agregação de valor dentro do estado.
