A força econômica do Círio de Nazaré em Belém
O Círio de Nazaré vai muito além de uma manifestação religiosa para os paraenses. A festa movimenta uma rede produtiva que, nos meses que antecedem a procissão, ganha ritmo acelerado e gera renda para microempreendedores locais. Em Belém, esse evento impulsiona negócios que mesclam tradição, cultura e identidade regional, criando oportunidades reais de trabalho e desenvolvimento. Erberth Barros e Bernadete Verderosa são exemplos que ilustram como a festividade serve de motor para a economia local.
De hobby a negócio estruturado
Há 14 anos, Erberth Barros iniciou a produção de camisas personalizadas para o Círio ao lado da irmã e da sobrinha. A ideia surgiu ao notar a demanda crescente por peças exclusivas em uma loja de Belém. No começo, as estampas eram feitas manualmente com tinta para tecido, e as primeiras duas camisas foram produzidas em casa e vendidas para amigos. A resposta foi rápida: logo no primeiro dia, cerca de 20 encomendas chegaram. Esse estímulo fez Erberth apostar no negócio como fonte de renda permanente.
Durante três anos, a produção se manteve artesanal, até que Erberth investiu em técnica e conhecimento, aprendendo sublimação e ferramentas digitais para criar estampas mais elaboradas. A estrutura familiar se ampliou, incluindo costureiras, profissionais de design e até produção audiovisual, consolidando um negócio diversificado e eficiente. Para o Círio deste ano, mais de 400 camisas foram produzidas, com preços que variam entre R$ 40 e R$ 60, dependendo da personalização e dos acabamentos, como aplicações de pedrarias.
Planejamento e inovação para atender a demanda crescente
A procura aumentou tanto que a produção antecipada se tornou essencial. Inicialmente iniciada um mês antes do evento, hoje a preparação começa até cinco meses antes, contemplando desde o desenvolvimento das artes até a escolha de tecidos que suportem o clima quente de Belém. A busca por conforto levou a família a testar diferentes materiais, garantindo qualidade e satisfação dos clientes.
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Além das camisas, a linha de produção se diversificou. No ano passado, a confecção de mantos para equipes da corda abriu novas portas, e seis mantos já estão em produção para a edição atual do Círio. Para atender à demanda, a equipe precisou ampliar a mão de obra, contratando costureiras de outros bairros e entregadores para garantir a logística.
Artesanato que gera renda e tradição
Para Bernadete Verderosa, a produção de artigos para o Círio começou durante a pandemia, quando passou a confeccionar peças manuais para familiares e amigos. Com experiência prévia em um armarinho, ela decorou cartazes oficiais da festividade com pedrarias e outros materiais, criando um mercado próprio. Hoje, os cartazes são seu principal produto, com preços a partir de R$ 50, variando conforme a complexidade da decoração.
A organização do trabalho começa no primeiro semestre, quando Bernadete pesquisa e compra materiais para formar estoque. O catálogo cresceu e inclui centros de mesa e outros artigos ligados ao Círio. A expectativa para este ano é dobrar as encomendas, com possibilidade de triplicar o volume em cenários favoráveis. Clientes de fora do Pará também fazem pedidos, reforçando a tradição paraense em outras regiões do país.
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Fonte: joinews.com.br
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Impactos econômicos que vão além da festa
O efeito do Círio ultrapassa o trabalho direto dos produtores. Erberth destaca que a cadeia envolve costureiras, fornecedores de tecidos, gráficas, profissionais de design, divulgação e entregas, movimentando diversas áreas da economia local. A antecipação da produção garante o abastecimento e evita rupturas no fornecimento durante o pico da demanda.
Clientes de outras unidades da federação já realizam encomendas, ampliando o alcance do negócio para além do Pará. Atendendo grupos da procissão, como as equipes da corda, o negócio cria peças exclusivas e até camisas com causas sociais, como a que homenageia o autismo, demonstrando engajamento comunitário e social.
Para os empreendedores, o Círio é mais do que uma oportunidade comercial. Representa a união da família, a valorização da cultura local e a geração de renda que impacta diretamente na vida de profissionais envolvidos. “A gente se dedica muito, faz com amor e coloca o nosso amor nisso. A união da família também faz muita diferença”, afirma Erberth Barros, resumindo o espírito que move esse ciclo produtivo.
