O olhar feminino na arte paraense
O Arte Pará 2026 traz à tona a sensibilidade do olhar feminino, que busca as conexões entre sentimento, pessoas, lugares e o tempo. Entre os 25 artistas selecionados para a mostra promovida pelo Grupo Liberal, três mulheres se destacam: Maria José Batista, Lúcia Gomes e Carol Abreu. A exposição será aberta em 5 de novembro no Museu do Estado do Pará (MEP), localizado no Centro Histórico de Belém.
Desde sua origem, em 1982, o Arte Pará tem uma ligação direta com as mulheres. Dona Déa Maiorana (1934-2026), ao lado do fundador do Grupo Liberal, Romulo Maiorana (1922-1986), participou da criação de um espaço dedicado à valorização da arte produzida na Amazônia e no Pará. Ao longo das edições, a mostra consolidou-se como uma vitrine essencial para artistas consagrados e emergentes, sempre com um toque especial das mulheres na curadoria e exposição das obras.
Coordenação e homenagens no Arte Pará 2026
A edição de 2026 é coordenada pela Fundação Romulo Maiorana, com curadoria da artista visual Keyla Sobral. O projeto é viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) e conta com patrocínio da Phebo e da Vale. A artista plástica Carmen Sousa será a grande homenageada, com uma sala dedicada exclusivamente à sua produção, destacando sua trajetória marcante na cena artística de Belém.
Maria José Batista: arte que nasce da vida cotidiana
Com atuação desde 1997, Maria José Batista, 64 anos, destaca-se por sua paixão e dedicação às artes visuais. Participante assídua do Arte Pará, ela estará presente na 42ª edição em 2026, marcada por sua quarta participação no evento. Em 2005, recebeu o Prêmio Aquisição e, nas edições seguintes, foi artista convidada e selecionada pelo edital.
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Maria José ressalta a importância do Arte Pará para a visibilidade dos artistas paraenses e para a difusão da cultura amazônica. Seu trabalho transita entre pintura, escultura, objetos e intervenções, sempre explorando diferentes materiais e técnicas. A inspiração vem do cotidiano, das cenas do bairro, da cidade e das histórias dos ribeirinhos, que ela transforma em obras por meio de um processo criativo que se revela durante a própria execução.
Lúcia Gomes e a arte como diálogo com o contemporâneo
Nascida em Belém e residente em Quatipuru, Lúcia Gomes, 60 anos, atua desde 1994 com performance, happening, interferência artística e ações interativas. Reconhecida pelo alto nível técnico e sensibilidade do júri, esta é mais uma vez selecionada para o Arte Pará. Ela vê a mostra como um espaço democrático que estimula a criatividade e o diálogo com temas contemporâneos.
Para Lúcia, o Arte Pará é um desafio que incentiva a produção artística na Amazônia, muitas vezes motivando criações exclusivas para o evento. Seu processo criativo é multifacetado: a obra pode surgir pronta na mente ou se desenvolver a partir de escritos, desenhos, indignações, orações e sonhos. Suas criações costumam envolver família, amigos e teóricos, ampliando o alcance e a colaboração na arte.
Carol Abreu e a memória sonora nas artes visuais
Carol Abreu, 43 anos, revela uma relação orgânica com a arte que começou ainda na infância, influenciada pela família entre cinema, música e histórias em quadrinhos. A artista desenvolve trabalhos que dialogam com música, sonoridades, memória, audiovisual, fotografia e design, privilegiando o conceito e o processo criativo.
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Seu projeto de mestrado partiu da imersão no Studio Som Jolie, espaço musical do seu pai Aldemário Abreu, falecido em 2020. A partir de registros sonoros, Carol explora memórias afetivas e familiares em suas obras, utilizando fitas K7 com áudios da infância para criar uma conexão entre passado e presente.
Carol propõe que o Studio Som Jolie se transforme em um espaço democrático de memória e criação coletiva. Com participação no Arte Pará desde 2006, retorna agora para a edição de 2026 com uma obra interativa, refletindo sobre a cena artística local e a relação de Belém com as aparelhagens, a circulação informal de músicas e a presença do rádio na cultura da região.
Circulação e potencial da arte em Belém
O Arte Pará 2026 reafirma seu papel estratégico na valorização da produção artística do Pará e da Amazônia, reunindo artistas que traduzem suas vivências em linguagens diversas. A mostra fortalece a circulação cultural em Belém, ampliando o acesso do público a narrativas que conectam passado, presente e perspectivas futuras da arte regional.
