Uma reunião inédita da dramaturgia paraense
“As Marias de Belém do Pará – Somos Todos Marias” é mais que uma comédia musical; é o resultado de um desejo que amadureceu ao longo de décadas. Em cartaz até 18 de outubro no Centro de Artes UFF, o espetáculo idealizado, escrito e dirigido por Eduardo Barata une pela primeira vez Bete Mendes, Ítala Nandi, Ivone Hoffmann, Maria Pompeu, Mariah da Penha e Veluma. A obra presta uma homenagem profunda à memória e à ancestralidade do Pará, ressaltando a importância da cultura local no cenário da dramaturgia brasileira.
Diálogo entre gerações e raízes culturais
O diretor Eduardo Barata transforma histórias pessoais em dramaturgia, conectando diferentes gerações da cena artística nacional. Neto de paraenses, ele constrói uma narrativa que atravessa a ancestralidade na Ilha do Marajó e chega ao palco carioca, propondo uma viagem fictícia pelo Condomínio Galharufa, em Copacabana. Essa jornada leva as personagens a Belém do Pará, onde festas populares, música e fé se entrelaçam, revelando a força da cultura amazônica.
Experiência e vivências que ganham voz no palco
As atrizes envolvidas trazem suas trajetórias para compor um retrato coletivo. Ítala Nandi celebra seu retorno à cena com uma homenagem ao seu lado transgressor e ao talento das colegas. Maria Pompeu, após dez anos afastada dos palcos, usa o humor para refletir sobre envelhecimento e modernidade. Bete Mendes interpreta uma síndica rabugenta, destacando o frescor que só a experiência teatral oferece: “É aquela coisa viva, o entrosamento de todos, cada dia é um espetáculo diferente. Sou fã de todas do elenco”.
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Memória, tradição e renovação em cena
Além das grandes atrizes, Eduardo Barata reúne 26 artistas com idades entre 23 e 90 anos, formando um mosaico que reforça a história da dramaturgia brasileira. Participações especiais de Joana Fomm e Hildegard Angel enriquecem a temporada em apresentações selecionadas, ampliando o diálogo entre gerações.
Ritmos e cenografia que celebram o Pará
A trilha sonora do grupo Carimbaby embala o público com carimbó, lambada e lundu, aproximando o espectador da riqueza cultural amazônica. A cenografia e os figurinos evocam o Círio de Nazaré e a cerâmica marajoara, além de incorporar barcos de miriti que foram destaque nos desfiles da Grande Rio em homenagem ao Pará no ano anterior, reforçando o vínculo entre música, dança e tradição.
Uma temporada para celebrar a dramaturgia paraense
“As Marias de Belém do Pará – Somos Todos Marias” entrelaça memória, afeto e ancestralidade, traduzindo a vivência de artistas com décadas dedicadas aos palcos. A temporada, que segue até 18 de outubro, convida o público a testemunhar o passado se reinventando no presente, guiado pela sensibilidade e pela direção de Eduardo Barata. O espetáculo é uma celebração da força da experiência e das histórias que continuam a se renovar.
