Pará registra maior número de queimadas no país
O Pará se destaca nacionalmente pelo número expressivo de incêndios florestais, contabilizando 6.844 focos somente em outubro, o que representa 36% de todos os registros no Brasil. A extensão das áreas queimadas ultrapassou 852 mil hectares, evidenciando a gravidade da situação ambiental no estado. A fumaça densa gerada por esses incêndios avançou sobre o Rio Tapajós, encobrindo o conhecido destino turístico de Alter do Chão, em Santarém (PA), e comprometendo severamente a qualidade do ar na região.
Qualidade do ar em Santarém atinge níveis alarmantes
Dados do instituto internacional IQAir indicam que a qualidade do ar em Santarém atingiu a categoria “muito insalubre” nas primeiras horas da manhã do dia 19, com um Índice de Qualidade do Ar (IQA) de 284. A concentração de partículas finas (PM2.5) chegou a 209 microgramas por metro cúbico, valor quase 14 vezes superior ao limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para exposição em 24 horas. Essa situação representa riscos imediatos à saúde da população local, especialmente para grupos vulneráveis.
El Niño e concentração dos incêndios em outubro
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, explicou que o fenômeno El Niño contribuiu para o atraso na seca na Amazônia, concentrando os incêndios durante o mês de outubro. No período de 1º a 19 de outubro, o Brasil registrou 19.035 focos de queimadas, sendo 6,8 mil no Pará. A área afetada pelo fogo no estado superou em 102% a média histórica para o mês, que é de 421 mil hectares. Atualmente, o Pará mantém 922 focos ativos, a maior quantidade do país, seguido pelo Amazonas, com 90 pontos de incêndio.
Leia também: El Niño na Amazônia: Pará intensifica ações para evitar desabastecimento e queimadas
Leia também: Governo do Pará Implementa Iniciativas para Melhorar a Qualidade de Vida em Áreas de Recuperação Florestal
Mobilização federal para combate e atendimento à população
Para enfrentar o avanço das queimadas e seus impactos, o Governo Federal reforçou as ações na região. O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, confirmou o envio de mais cinco aeronaves adaptadas para o combate ao fogo, totalizando 16 aviões em operação. Em Manaus, foi instalado um Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas para coordenar as ações militares e de brigadistas no Pará e Amazonas.
Na área de saúde, uma base da Força Nacional do SUS começou a operar em 20 de outubro, oferecendo suporte médico às comunidades afetadas por problemas respiratórios decorrentes da fumaça. Além disso, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional destinou R$ 14 milhões ao governo amazonense para ações emergenciais de socorro e logística, reforçando o atendimento às populações rurais e ribeirinhas impactadas pela crise ambiental.
