Impacto da Fumaça das Queimadas no Turismo Regional
As cidades do Amazonas e do Pará enfrentam níveis críticos de poluição do ar causados pelas queimadas que avançam pelas florestas desses estados, prejudicando diretamente o turismo local. Na região metropolitana de Manaus, os passeios fluviais têm sido cancelados com frequência devido à baixa visibilidade provocada pela fumaça. Isso gera perdas financeiras para o setor, que já sofre com a seca severa dos rios, dificultando ainda mais a navegação.
O agente de viagens e consultor do Sebrae Amazonas, Ilson Rogério dos Santos, relata que a visão prejudicada pelos focos de fogo compromete o início dos roteiros de barco. A insegurança causada pela fumaça leva ao cancelamento de passeios para destinos como Iranduba, Paricatuba e Careiro da Várzea. Cidades como Manacapuru, Novo Airão e Presidente Figueiredo também sentem os efeitos na rotina diária.
Consequências para a Saúde e Atividades Culturais
A fumaça das queimadas contém partículas físicas que, ao se misturarem com a água da chuva, agravam os riscos à saúde, especialmente para quem tem contato constante com esse ar poluído. O especialista Pacheco aconselha o isolamento como medida preventiva para minimizar os impactos.
No Teatro Amazonas, a poluição do ar levou os visitantes a adotarem o uso de máscaras de proteção durante as visitas, refletindo o desconforto e a preocupação com a qualidade do ambiente. Além disso, o turismo pedagógico voltado para crianças de 5 a 8 anos está suspenso, uma vez que escolas cancelaram aulas devido à fumaça intensa, conforme relata o presidente do Sindegtur.
Queda no Fluxo Turístico e Ações Judiciais
O cancelamento de passeios tem impacto direto no faturamento das agências de turismo, principalmente em períodos de alta demanda. Para os visitantes, a experiência é comprometida, afetando a imagem do destino. Dados da Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur) indicam uma queda de 1,11% no fluxo turístico em agosto e 5,04% em setembro de 2026, comparado aos mesmos meses do ano anterior. Além das queimadas, o setor sofre com a redução de 17,5% na malha aérea ocorrida em maio.
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Uma ação popular na 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária do Amazonas questiona possíveis falhas na prevenção dos incêndios pelos órgãos públicos e exige a apresentação de planos integrados entre o governo federal e os estados do Amazonas e Pará. A juíza federal Mara Elisa Andrade analisa os documentos para decidir sobre medidas urgentes solicitadas na ação.
Situação Atual dos Incêndios e Medidas de Combate
Na cidade de Itacoatiara, a qualidade do ar permanece péssima devido a incêndios que já duram semanas, incluindo um fogo na região do Rio Urubu que alcança 54 dias. Manaus também sente os efeitos, embora a qualidade do ar tenha melhorado após chuvas recentes.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Amazonas registrou 363 focos de calor entre 13 e 19 de outubro, uma redução significativa em relação à semana anterior. Itacoatiara lidera o número de focos com 44 ocorrências, seguida por Lábrea e Guajará.
Pará: Estado com Maior Número de Incêndios e Operações Emergenciais
O Pará lidera o país em focos de incêndios, contabilizando 1.369 em 76 municípios, conforme a plataforma Queimadas do Inpe. A região Oeste do estado, especialmente Uruará e São Félix do Xingu, concentra as operações de combate mais intensas. Nas últimas 24 horas, surgiram 90 focos adicionais, totalizando 8.785 incêndios no mês.
Mais de 60 incêndios estão localizados na região do Chapadão, próxima à rodovia PA-370 e ao município de São Félix do Xingu. O Ministério do meio ambiente identifica a origem dos incêndios em invasões irregulares e práticas ilegais de manejo com fogo em assentamentos e reservas legais.
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Em resposta, o governo federal mobilizou 13 aeronaves, a maioria para o Oeste paraense, além de 522 brigadistas e fiscais, 41 veículos terrestres, e estabeleceu um posto de comando em Itaituba para coordenar as ações. A Força Nacional de Segurança foi acionada para auxiliar os brigadistas, enquanto investigações sobre possíveis incêndios criminosos estão em andamento, conforme declarou o ministro do Meio Ambiente, João Capobianco.
Cooperação Estadual e Federal no Combate às Queimadas
O governo do Pará destaca redução de mais de 50% nos focos de queimadas neste ano, atribuindo o resultado a uma atuação integrada entre União, municípios e sociedade civil. O Ministério do Meio Ambiente ressalta que a atuação conjunta entre órgãos federais e estaduais envolve combate direto às chamas, fiscalização ambiental e monitoramento das áreas afetadas.
Nas regiões mais críticas, Uruará e São Félix do Xingu, os dados indicam áreas de milhares de hectares atingidas e centenas de focos de calor ativos. O governo federal reconheceu situação de emergência em Santarém devido aos efeitos das queimadas e à drástica redução do nível dos rios Amazonas e Tapajós.
Desafios Climáticos e Ambientais na Região Norte
Embora as chuvas recentes tenham aliviado os efeitos da seca no Amazonas, o interior do Pará ainda sofre com a estiagem prolongada. A combinação da seca com as queimadas agrava a situação ambiental, aumentando os riscos para a biodiversidade e para as populações locais.
O Clima (MMA) reforça a necessidade de manter e ampliar as operações para conter os incêndios e proteger os ecossistemas ameaçados, além de monitorar as condições atmosféricas para orientar ações futuras.
