Transformação Sustentável nos Interiores Náuticos
O setor náutico está passando por uma revolução, navegando em direção a um futuro mais sustentável. No passado, a escolha de materiais como madeira nobre e couro exótico dominava a decoração interna das embarcações. Contudo, atualmente a preferência se desloca para o uso de materiais recicláveis e com baixo impacto ambiental, tendência que ganha força não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.
Segundo informações da plataforma The Luxury Playbook, especializada no mercado de luxo, a sustentabilidade se firmou como um pilar essencial no design de interiores de embarcações, especialmente em iates. Os designers começam a priorizar madeiras de origem responsável, metais reciclados e tecidos sustentáveis que unem elegância e consciência ambiental.
Materiais Sustentáveis em Alta
Um dos materiais que vem se destacando é o bambu, amplamente utilizado em diversas embarcações ao redor do planeta. Este recurso, considerado renovável e de crescimento rápido, é utilizado em pisos e armários graças à sua durabilidade e estética atraente.
Outro exemplo significativo é o couro ecológico, também conhecido como “couro biodegradável”, que fornece resistência com um impacto ambiental reduzido. Além disso, materiais como:
- Couro de cogumelo: Produzido a partir de fungos em laboratório, assemelha-se ao couro animal, mas é 100% biodegradável.
- Couro de abacaxi: Elaborado a partir das fibras das folhas do abacaxi, utilizado em estofados luxuosos.
- Couro de cacto: Renomado por sua resistência à abrasão e aos raios UV, tornando-o ideal para ambientes marítimos.
- Couro de maçã ou uva: Produzido com resíduos da indústria de sucos e vinhos.
Embora materiais tradicionais como mármore, granito e quartzo sejam valorizados pela estética e longevidade, há uma crescente adoção de alternativas mais sustentáveis. As pedras artificiais feitas com vidro reciclado e compósitos de resina estão se destacando por seu menor consumo de energia na produção.
Detalhes Que Fazem a Diferença
Quando se trata de sustentabilidade, cada detalhe conta. O algodão orgânico, por exemplo, é uma excelente escolha por sua maciez e respirabilidade, ideal para estofados, cortinas e roupas de cama nas embarcações. As fibras naturais favorecem a circulação do ar, ajudando a manter as cabines frescas.
Outro material que está reemergindo é o cânhamo, que oferece durabilidade e uma textura única, sendo altamente adequado para capas de assento e tapetes. Tanto o cânhamo quanto o algodão são isentos de produtos químicos nocivos, reduzindo as toxinas liberadas no ambiente.
Impacto Positivo e Carbono Negativo
Mais do que buscar a neutralização de carbono, alguns materiais ajudam a eliminar a emissão do gás da equação. Isso é observado em inovações para pisos, onde alternativas como cortiça reciclada e bambu substituem a tradicional teca.
Um exemplo notável é a DUE Brasil, representante da Bolon no país, que revestiu o piso do JAQ H1, um barco movido a hidrogênio verde, apresentado na COP30 em Belém (PA). A marca utilizou 250 m² de material sustentável para os interiores, proporcionando um impacto climático de -50 kg de CO2e (equivalente a dióxido de carbono). Para ilustrar, essa quantidade é semelhante a evitar as emissões de um carro que percorre a distância entre São Paulo e Rio de Janeiro ou ao carbono que duas árvores adultas absorvem em um ano.
Os pisos da Bolon são fabricados na Suécia com PVC reciclado e materiais de origem biológica, garantindo um impacto climático nulo. O processo de produção é totalmente sustentado por energia renovável e, em média, cada metro quadrado gera um impacto de -0,2 kg CO2e.
Além da versatilidade do produto, que pode ser instalado em diversos espaços da embarcação, como cabines e paredes, a colaboração da Bolon no JAQ H1 é apenas uma demonstração de seu compromisso com a sustentabilidade. A empresa, desde 1949, é reconhecida por transformar resíduos em design, utilizando materiais descartados e adotando uma abordagem de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) em seus produtos.
