A Transição Agroecológica como Resposta às Crises Alimentares e Climáticas
Durante a COP30, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, destacou a importância de fortalecer a agroecologia e a agricultura familiar, além de promover uma alimentação saudável e respeitar os saberes ancestrais. Essa afirmação ecoa uma realidade que a ciência tem repetido há anos: o modelo tradicional de produção de alimentos esgotou suas possibilidades. Dados de organismos como a FAO e o IPCC reforçam a agroecologia como a solução mais sustentável para a produção agropecuária, já que esta prática combate problemas como a poluição por agrotóxicos, a emissão de gases de efeito estufa e a degradação de recursos naturais.
No entanto, apesar de seus benefícios reconhecidos, a adoção da agroecologia no Brasil enfrenta obstáculos significativos. A influência econômica e política dos defensores da agricultura convencional, juntamente com o poder das grandes corporações que dominam o setor de insumos agrícolas, dificulta essa transição. Em novembro de 2025, Belém do Pará sediou a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, onde foram servidas cerca de 80 toneladas de alimentos agroecológicos, mas a expressão da temática alimentar foi omitida nas negociações finais.
Entender o conceito de agroecologia é fundamental para visualizar a magnitude desta transição. Trata-se de um campo de conhecimento complexo que vai além da simples agricultura orgânica; envolve uma prática científica, um modo de produção e um movimento social que dialoga com saberes locais. Fabrício Muriana, diretor do Instituto Regenera, enfatiza que, apesar das evidências sobre a eficácia da agroecologia, ainda faltam dados robustos sobre seu impacto nas emissões de gases.
Compreender a agroecologia demanda uma visão holística. O chileno Miguel Altieri define-a como uma disciplina que oferece princípios e métodos para fomentar a agricultura sustentável, enquanto Eduardo Sevilla Guzmán a destaca como um saber que promove o manejo ecológico dos recursos naturais por meio de ações coletivas.
No Brasil, pioneiros como Ana Maria Primavesi, com sua obra “Manejo Ecológico do Solo”, mostraram que a saúde dos ecossistemas está interligada à saúde do solo. Assim, a agroecologia busca promover um modelo justo e solidário de produção e consumo, reconhecendo a importância dos saberes locais dos povos tradicionais.
