Reconhecimento Oficial da Cena Rock Paraense
Celebrando quatro décadas de história, a banda paraense Álibi de Orfeu, referência da cena rock na capital do Pará, acaba de receber um importante reconhecimento: sua obra foi declarada Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Município de Belém. A formalização ocorreu por meio da Lei nº 10.360, assinada pelo prefeito Igor Normando e publicada no Diário Oficial do Município em 14 de junho de 2026.
Segundo a legislação, a Álibi de Orfeu é reconhecida como uma banda tradicional do Pará que incorpora elementos da música amazônica, como lundu e carimbó, além de desenvolver espetáculos que mesclam música, teatro e dança. Este reconhecimento oficial valoriza a contribuição da banda para o patrimônio cultural imaterial da cidade.
Composição Atual e Legado Musical
A formação atual da banda reúne Rui Paiva na bateria, que faz parte da primeira turma; Sidney Klautau no baixo, com mais de 20 anos na Álibi; Rafael Mergulhão na guitarra solo e violão, presente há 14 anos; Lohane Takeda no vocal e André Sassim na guitarra base e violão. Juntos, eles seguem mantendo viva a identidade autoral do grupo.
Leia também: Rolé por Belém: Caminhada cultural para redescobrir a história da capital paraense
Leia também: Banda Fuzzila lança álbum de estreia com show em Belém: uma noite imperdível para fãs de rock
Rui Paiva compartilhou a emoção pela notícia do reconhecimento: “Foi uma surpresa enorme para todos. Esse reconhecimento dá uma sensação de que nada foi em vão nesses 40 anos de existência da banda. Agradecemos a todos os músicos que colaboraram ao longo desse tempo, mantendo o rock autoral e versões próprias. Esse reconhecimento da vereadora Marinor Brito e sua equipe nos honra muito e reforça que o rock paraense é uma realidade concreta”.
Comemoração e Engajamento Social
Para marcar os 40 anos, a Álibi de Orfeu prepara um megashow no Teatro do SESI, no dia 8 de agosto, a partir das 20h. Além da celebração, o evento terá uma campanha solidária que vai arrecadar alimentos não perecíveis para a AVAO (Associação Voluntariado de Apoio à Oncologia). Também serão oferecidas promoções que combinam ingressos com camisas oficiais da banda.
Raízes e Inovação na Música Paraense
O baterista Rui Paiva conta que a banda nasceu no início dos anos 1980 a partir de projetos escolares, inicialmente como Epsilon, formada por alunos do NPI e do Colégio Marista. O foco era o rock progressivo e experimental. “Nas primeiras apresentações no Teatro Waldemar Henrique, iniciávamos o show com um ritmo frenético produzido por uma máquina de datilografia, enquanto a primeira cantora Gabriela recitava um poema existencialista. A ideia era não ter limites musicais, transitando do rock pesado ao punk e até a valsas em ¾”, relembra Rui.
Leia também: Festival de Gastronomia Caiçara valoriza Cambira, patrimônio cultural de Pontal do Paraná
Fonte: londrinagora.com.br
Leia também: Projeto Cultura Viva Alagoas fortalece saberes tradicionais em Santana do Ipanema
Fonte: amapainforma.com.br
Desde então, a Álibi de Orfeu se reinventa constantemente, explorando novos estilos e formatos, incluindo o projeto de uma ópera rock em Belém. O grupo já lançou cinco álbuns: “Álibi de Orfeu” (vinil), “Só Veneno” (CD), “Desterro” (Ópera Rock), “Tributo aos Secos & Molhados” e “3.8” (disponível em plataformas digitais).
Importância da Ópera Rock “Desterro”
O baixista Sidney Klautau destaca a relevância da ópera “Desterro”, lançada em 2018 nas plataformas digitais. “Foi a primeira ópera rock do Brasil. Apesar de o Titãs também terem lançado posteriormente um álbum com essa proposta, o lançamento do Álibi é anterior e mantém sua importância histórica”, explica Sidney.
Na semana que antecedeu o lockdown da pandemia de Covid-19, a banda realizou a primeira temporada de “Desterro”, com três dias de teatro lotado. As apresentações contaram com os músicos tocando ao vivo as 14 músicas do álbum, acompanhados pela Orquestra Sustentável de Percussão da Terra e um elenco de mais de 30 atores, reforçando a dimensão artística e cultural do projeto.
