Tonny Brasil e seu legado imaterial no Pará
Em 2 de junho de 2024, o Pará perdeu o cantor, compositor e multi-instrumentista Antonio Luiz do Carmo Conceição, conhecido popularmente como Tonny Brasil. Dois anos depois, em 2 de junho de 2026, o Estado celebra um marco importante: a obra desse artista fundamental para a música paraense foi declarada patrimônio cultural de natureza imaterial. A oficialização dessa homenagem ocorreu com a publicação da Lei nº 11.461, no Diário Oficial do Estado do Pará, sancionada pela governadora Hana Ghassan Tuma, em 29 de maio de 2026.
O projeto que culminou nessa legislação foi de iniciativa do deputado estadual Elias Santiago e aprovado pela Assembleia Legislativa do Pará (Alepa). Tonny Brasil, reconhecido como o “pai do tecnobrega“, construiu uma trajetória marcada por sua versatilidade como cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista, deixando uma obra de cerca de 2 mil composições, das quais aproximadamente 700 foram gravadas por artistas renomados da música regional e nacional.
Reconhecimento e homenagens na cena musical paraense
Artistas da cena paraense celebraram o reconhecimento oficial da obra de Tonny Brasil. O cantor Beny Pérola Negra destacou a inteligência e a generosidade do artista, lembrando os momentos compartilhados no Boteco da Princesa, na avenida Alcindo Cacela. “Ele me passou muita experiência de vida e foi muito importante para minha carreira e para a arte paraense”, afirmou Beny, evidenciando a importância do reconhecimento para a memória cultural do Estado.
Tonny Brasil faleceu aos 57 anos, após ter sofrido um acidente vascular cerebral (AVC) em abril de 2024. Na ocasião, diversos artistas lamentaram sua perda, entre eles Edilson Morenno, Valéria Paiva e Rolon Ho. O cantor e compositor Wanderley Andrade recordou o último trabalho conjunto, destacando a humildade e simplicidade de Tonny, com quem teve uma amizade próxima.
Influência musical e legado na cultura paraense
Tonny Brasil foi um dos pioneiros a incorporar o ritmo zouk, que conheceu em Cayena, capital da Guiana Francesa, à música paraense, combinando-o com o brega-calipso e o brega melody. Entre seus grandes sucessos estão canções como “Oração”, “A Primeira Vez”, “Isso é Amor”, “Leviana”, “Doce Mel”, “Cúmbia do Compadre”, “Sonho”, “Ragga Melody”, “Mundiquinha”, “Lana” e “Oh, Carol”.
O impacto de sua produção é evidenciado por nomes como a Banda Calypso, Wanderley Andrade e Gaby Amarantos, que gravaram suas composições. Seu filho, o músico Jimmy Góes, da banda Les Rita Pavone, comentou sobre o reconhecimento da obra do pai como patrimônio cultural: “Recebo com muita felicidade e satisfação. A obra dele ser considerada patrimônio cultural é uma das tantas homenagens que ele merece”.
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Tonny Brasil na memória e nas ruas de Belém
Jimmy Góes afirma que a presença da música de Tonny Brasil é constante na rotina cultural de Belém. “Ontem mesmo, eu estava chegando em casa e ouvi um vizinho tocando músicas como ‘Caprichos’ e ‘Don’t Cry’ na rua, versões que refletem essa influência vibrante do legado do meu pai”, relata. Ele destaca ainda que Tonny deixou um repertório vasto e diversificado, com quase 3 mil músicas, que continuam circulando e inspirando artistas e público na região.
Entre os sucessos que Jimmy aprecia estão “Fórmula Mágica” (Banda Calypso), “Ragga Melody 3”, “O Cego” (Anna di Oliveira), “Não Sou Tua” (Hellen Patrícia e Banda Xeiro Verde) e “Leviana”, interpretada por nomes como Reginaldo Rossi, Leonardo, Pablo e Léo Magalhães. Para ele, o mais importante legado que Tonny deixou foi o conselho de “fazer a sua onda” e construir sua própria história, algo que seu filho segue em sua trajetória musical.
Tonny Brasil nasceu em Belém e sua obra agora tem o reconhecimento oficial que reflete sua importância concreta para a cultura paraense, consolidando seu papel como um dos principais nomes da música regional. O título de patrimônio cultural imaterial do Estado abre espaço para a valorização e preservação de sua produção junto às novas gerações e ao público que acompanha a cena musical do Pará.
