Primeiro Arrastão do Pavulagem agita o centro de Belém
Na manhã do último domingo (14), as ruas do centro de Belém foram palco do primeiro Arrastão do Pavulagem de 2026. Reconhecida como Patrimônio Cultural de Belém, do Pará e Manifestação da Cultura Nacional, a celebração atraiu milhares de brincantes e espectadores para o lançamento oficial da temporada de cortejos organizada pelo Instituto Arraial do Pavulagem.
A programação teve início por volta das 9h, com a concentração do Batalhão da Estrela em frente ao Theatro da Paz, na Praça da República. Um dos momentos mais aguardados foi a tradicional aparição do Boi Pavulagem na varanda do teatro — um ritual que acontece exclusivamente no primeiro Arrastão do ano, simbolizando a apresentação pública do boi para a temporada.
Cortejos, tradições e diversidade no percurso
Após a aparição, os brincantes seguiram em cortejo pela Avenida Presidente Vargas em direção à Praça Waldemar Henrique. Vestidos com camisetas azuis, saias brancas, chapéus de palha e fitas coloridas, eles acompanharam os cortejos dos bois, cavalinhos e personagens que são parte fundamental da identidade do movimento.
Júnior Soares, músico e cofundador do Arraial do Pavulagem, ressaltou a expectativa para a temporada. Para ele, o principal objetivo é promover momentos de encontro e celebração para o público que acompanha o Arrastão pelas ruas da cidade. “Nossa expectativa é que as pessoas vivam momentos especiais pelas ruas de Belém. O Arrastão leva uma mensagem de convivência, de encontro e de alegria para quem participa desta celebração coletiva”, explicou.
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Participação intergeracional e inclusão social
O Batalhão da Estrela contou com a presença da coordenadora pedagógica Carla Brito, que participa da percussão há três anos tocando tambor-onça, instrumento da mesma família da cuíca. Para ela, a saída do primeiro cortejo sempre é cercada de expectativa e ansiedade. “Todo ano existe uma ansiedade para viver esse momento. O Arrastão reúne pessoas de diferentes idades, desde crianças até idosos, e mobiliza muita gente”, afirmou.
O evento também reuniu famílias inteiras. Gabriela Abbud do Amaral acompanhou o sobrinho Damian, de um ano e nove meses, que participou pelo segundo ano consecutivo. Ela destacou a importância do contato das crianças com manifestações culturais desde cedo, afirmando que espera que ele continue participando e crescendo junto com a tradição do Arrastão.
Na frente do cortejo, crianças com seus “boizinhos” e Pessoas com Deficiência (PCDs) participaram acompanhadas por familiares. A brincante Nanci Figueiredo, de 67 anos, esteve ao lado do filho Gleidson, de 47, que usa cadeira de rodas. Para ela, essa presença representa uma oportunidade importante de integração e convivência. “Todos os anos nós participamos. Ele começa a perguntar quando vai acontecer já em junho. Acho fundamental porque as pessoas com deficiência precisam desse contato com o público e de participar da brincadeira junto com todo mundo”, relatou.
Ações de sustentabilidade e acessibilidade valorizam o evento
Além das atividades culturais, o Arrastão investiu em ações voltadas à inclusão e à sustentabilidade. A Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis (Concaves) esteve presente na Praça Waldemar Henrique, responsável pela coleta seletiva dos resíduos gerados durante a festa.
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Em parceria com a Equatorial Pará, o evento contou com o Espaço + Inclusão, uma estrutura adaptada para Pessoas com Deficiência (PCDs) e pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), equipada com instalações adequadas e assistentes sociais para apoio. O espaço foi montado em frente à Concha Acústica.
Outra iniciativa foi o E+ Reciclagem, que permitiu aos participantes trocar dez copos plásticos, latinhas de alumínio ou garrafas PET por um copo sustentável nos pontos de coleta espalhados pela programação.
Temporada 2026 e a valorização da cultura amazônica
O tema deste ano, “Bandeira de Guarnição”, reflete a convivência, a partilha de saberes e o cuidado coletivo presentes na cultura popular. Cada Arrastão do Pavulagem deve reunir cerca de 35 mil pessoas, segundo estimativas da organização, contando com mais de 1.200 integrantes do Batalhão da Estrela.
As próximas edições estão previstas para os dias 21 e 28 de junho e 5 de julho. A temática também destaca a valorização dos saberes tradicionais de mestres e mestras da Amazônia, reforçando a importância da preservação e transmissão desses conhecimentos às novas gerações por meio da música, dos símbolos e das experiências vividas nos cortejos culturais.
