Feira celebra diversidade e empreendedorismo feminino no Pará
O Polo Joalheiro, no Espaço São José Liberto, em Belém (PA), será palco neste sábado (19) de um encontro que reúne 52 empreendedoras de diferentes regiões do Pará. A Feira de Negócios do Energia Feminina abre suas portas gratuitamente das 10h às 16h, exibindo uma variedade que vai desde joias e artesanato paraense até moda, beleza, bem-estar, economia criativa e serviços. O prédio histórico, erguido no século XVIII, ganha vida com a presença de mulheres que transformam conhecimento e habilidade em renda própria.
Mulheres de diversos territórios levam seus negócios para a vitrine
Participantes chegam não só de Belém e Ananindeua, mas também de municípios como Acará, além de territórios quilombolas e ilhas como Combu e Cotijuba. Essa diversidade territorial reflete desafios específicos, como logística, acesso a fornecedores e circulação de produtos, que impactam diretamente o funcionamento dos negócios. A iniciativa é parte da segunda edição paraense do Energia Feminina, que selecionou as empreendedoras entre 112 mulheres atendidas pela ação do Instituto Equatorial em parceria com o Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (CIEDS).
O desafio de transformar habilidades em renda sustentável
A feira vai além da exposição de produtos. Ela é o momento em que planejamento e custo encontram o cliente e o preço se ajusta à realidade do mercado. No Pará, o empreendedorismo feminino tem papel relevante na economia local. Segundo dados do Sebrae Pará para 2026, das 333,7 mil Microempreendedores Individuais ativos, 139,3 mil são mulheres, representando 41,74% do total. Além disso, 13,5% das mulheres em idade ativa no estado empreendem, concentrando-se principalmente nos setores de serviços e comércio.
Leia também: Após COP 30, Pará consolida novo patamar econômico e fortalece pequenos negócios
Leia também: Como Mulheres do Pará Transformam Desafios em Negócios e Fortalecem a Economia Local
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirma que, no primeiro trimestre de 2026, 29,9% da população ocupada no Pará trabalhava por conta própria, enquanto a informalidade atingia 56,5% dos trabalhadores. Esses números evidenciam a importância da renda autônoma para a economia local e mostram por que formação, planejamento e acesso ao mercado são essenciais para que pequenos negócios prosperem.
Capacitação e resultados concretos para empreendedoras
Desde 2025, o Energia Feminina oferece capacitações, mentorias e apoio para o desenvolvimento dos negócios, incluindo temas como eficiência energética e incentivo à formação de redes entre as participantes. No Pará, as duas edições já atenderam 292 mulheres, com investimento superior a R$ 1,2 milhão, segundo dados da organização.
O balanço da primeira edição revela avanços práticos: das 180 empreendedoras capacitadas em 2025, 42% aumentaram sua renda mensal, 55% iniciaram um negócio e 39% firmaram parcerias dentro ou fora do programa. O faturamento médio dos negócios saltou de R$ 1.028,15 para R$ 3,8 mil, e a feira daquele ano movimentou cerca de R$ 8 mil em vendas. Além disso, todas as participantes relataram aumento de autoestima e confiança, enquanto 100% receberam formação sobre eficiência energética, com 82% incorporando práticas sustentáveis em seus negócios.
Leia também: Mulheres do Agro do Pará: 2º Encontro reúne 500 produtoras em Belém para debater futuro do setor
Leia também: Mulheres Empreendedoras: Transformando Sonhos em Negócios e Movimentando Comunidades
Diversidade territorial e desafios logísticos na Amazônia
A presença de empreendedoras de ilhas e comunidades quilombolas destaca as particularidades do empreendedorismo em diferentes contextos amazônicos. A distância impacta custos, transporte de matéria-prima e acesso ao mercado, desafios que a feira torna visíveis ao público. O Espaço São José Liberto, construído em 1749 e restaurado para abrigar atividades culturais e econômicas, oferece o cenário ideal para essa combinação de criatividade, produção e geração de renda.
Programação que fortalece negócios e amplia oportunidades
O evento inicia às 10h com visitação aos estandes, seguido da cerimônia oficial às 10h30. Durante o dia, as empreendedoras apresentarão seus negócios em três blocos de pitches, haverá painel sobre mulheres e transformação na Amazônia, desfile das peças produzidas pelas participantes, apresentações culturais e sorteios. Com palco, área infantil, praça de alimentação e espaço para serviços do E+ Comunidade da Equatorial, a feira cria ambiente propício para vendas, networking e negócios que podem se estender além do evento.
Para as empreendedoras, o sábado pode representar mais do que vendas imediatas: é a chance de conquistar clientes, firmar parcerias e ampliar o alcance de seus negócios. Para os visitantes, é a oportunidade de conhecer e valorizar a diversidade e o talento das mulheres que impulsionam a economia em Belém (PA) e no Pará.
