A Arte e a Lua: Conexões Surpreendentes
A música “Fly me to the moon”, escrita por Bart Howard, surgiu como uma valsa sob o título original “In other words”. Sua primeira gravação foi realizada pela atriz e cantora Kaye Ballard em 1954. A peça musical teve seu nome alterado por Bart em 1963. No ano seguinte, quando Frank Sinatra a interpretou junto à orquestra de Count Basie, o arranjador Quincy Jones trouxe um novo andamento à canção, conferindo-lhe um ritmo mais jazzy. Assim, a música se consolidou como uma poderosa metáfora do amor que leva os apaixonados às estrelas.
A exploração espacial também deixou sua marca na música pop. “Space Oddity”, de David Bowie, foi lançada apenas nove dias antes da chegada do homem à Lua, apresentando Major Tom, um astronauta solitário, isolado do contato terrestre. Outra famosa balada, “Rocket Man” (1972), sobre a solidão no espaço, foi inspirada em um conto de Ray Bradbury de 1953 e se tornou um clássico nos shows de Elton John. Em 1992, R.E.M. reinterpretou a famosa frase “podemos colocar um homem na Lua” em sua canção “Man on the moon”, relembrando o discurso do presidente John Kennedy, proferido um ano antes de sua morte, em 1962. Essa frase se tornou uma metáfora para conquistas que parecem inalcançáveis.
Tintim e a Viagem Espacial nos Quadrinhos
No universo das histórias em quadrinhos, antes mesmo de Neil Armstrong, havia Tintim. O icônico jornalista criado pelo belga Hergé foi o protagonista da primeira aventura espacial fora da Terra, narrada em “Rumo à Lua” (1953) e “Explorando a Lua” (1954). A tripulação, composta pelo rabugento Capitão Haddock, seu fiel cachorro Milu e o distraído professor Girassol, embarcou em uma jornada pelo espaço. Hergé, no entanto, se esforçou para manter realismo na história, retratando os efeitos da gravidade zero e escolhendo a cratera Hiparco como local de pouso do foguete da saga, que foi inspirado nos foguetes V-2, utilizados pela Alemanha nazista na II Guerra e liderados por Werner von Braun, que depois trabalhou na missão Apollo.
O Cinema e as Representações da Lua
O filme “2001: Uma Odisseia no Espaço”, lançado em 1968 por Stanley Kubrick e baseado no livro de Arthur C. Clarke, mostra a Lua como um ponto de transição. Na cratera Clavius, cientistas descobrem um monolito negro, um sinal de que civilizações anteriores já haviam chegado à Lua. Essa obra-prima ainda impressiona pela beleza visual e por seu enigmático desfecho.
Após o lançamento de “Apollo 13” (1995), onde Bill Paxton, Kevin Bacon e Tom Hanks estrelam a dramática missão, a frase “Houston, temos um problema” passou a ser utilizada em diversas situações cotidianas. O filme retrata o fracasso do que seria a terceira missão do homem à Lua, em 1970. Para garantir a precisão, o diretor Ron Howard contou com a assistência da Nasa e filmou cenas em ambientes de gravidade quase zero, utilizando um avião de treinamento de astronautas.
Ficção Científica e Críticas ao Progresso
Georges Méliès se inspirou em Júlio Verne e H.G. Wells para criar “Viagem à Lua”, um dos primeiros filmes de ficção científica, lançado em 1902. Méliès utilizou os melhores recursos de animação e efeitos especiais da época, oferecendo uma imagem icônica da Lua, atingida pela cápsula que transportava os personagens. Recentemente, uma pesquisa do Datafolha revelou que um terço dos brasileiros ainda não acredita que o homem realmente chegou à Lua. Esse ceticismo inspirou a comédia “Como Vender a Lua”, onde Scarlett Johansson e Channing Tatum interpretam personagens envolvidos em uma trama de marketing da Nasa.
A Chegada da Lua e Reflexões Literárias
A chegada à Lua, em 1969, impressionou o mundo, mas não deixou W. H. Auden indiferente. Em seu poema “Moon Landing”, escrito dois meses após o evento, Auden criticou o que chamou de “triunfo fálico”, sugerindo que tal conquista era uma realização exclusiva masculina. Ele fez uma analogia entre os astronautas e heróis da cultura clássica, destacando que os feitos de Homero eram igualmente significativos.
Júlio Verne, em 1865, já imaginava alguns dos procedimentos que seriam utilizados em missões espaciais um século depois, como a velocidade de escape, em sua obra “Da Terra à Lua”. O romance descreve um clube de especialistas que constrói um canhão gigante para disparar um projétil rumo ao satélite, culminando em uma continuação chamada “Ao Redor da Lua”, que apresenta similitudes com as experiências vividas pelos astronautas da Artemis II, incluindo um final positivo, em que os protagonistas fictícios são resgatados no Oceano Pacífico.
Cyrano de Bergerac, conhecido pelo famoso personagem de Edmond Rostand, também se destacou como autor de ficção científica, descrevendo embarcações espaciais em sua obra “Viagem à Lua”, publicada em 1657. Essa narrativa cômica é um precursor das histórias de viagem espacial, mostrando que a imaginação humana sempre buscou ir além dos limites da Terra.
