O poder transformador da arte em Danielle Fonseca e Jocatos
A arte é uma linguagem que transcende o ordinário, capaz de reconfigurar sentimentos, pensamentos e ações. É justamente essa capacidade que a obra dos artistas visuais Danielle Fonseca e Jocatos materializa, ao revelar um novo olhar sobre as pessoas e o mundo. Para eles, a transformação começa no processo criativo e reverbera no público que acompanha suas exposições, como acontece na mostra Arte Pará, evento que alcançará sua 42ª edição em 2026.
Promovido pelo Grupo Liberal e coordenado pela Fundação Rômulo Maiorana (FRM), o Arte Pará 2026 será inaugurado em 5 de novembro no Museu de Arte do Estado do Pará, numa data que também celebra os 80 anos do Jornal O Liberal. As inscrições para artistas interessados em participar estão abertas, conforme o edital disponível. O projeto é viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com patrocínio da Phebo e do Instituto Cultural Vale.
Danielle Fonseca: referências e vivências que alimentam a arte contemporânea
Belenense com quase três décadas dedicadas às artes visuais, Danielle Fonseca constrói sua obra a partir de múltiplas influências, como a literatura, a filosofia e a música. “Minhas criações nascem tanto das experiências pessoais quanto da pesquisa em arte e das histórias que encontro em livros que me atravessam”, explica a artista.
Ela se reconhece dentro da arte contemporânea, explorando linguagens variadas, como a arte conceitual, instalações e vídeos. Danielle também valoriza o papel do Arte Pará como um espaço fundamental para o desenvolvimento artístico, destacando sua importância para Belém e para o Brasil: “É onde grandes artistas são descobertos, onde há troca cultural e, por meio do Educativo, o acesso à arte é democratizado para estudantes e comunidades”.
O impacto do Arte Pará na trajetória de Danielle é pessoal e marcante: “Foi nessa mostra que ganhei meu primeiro prêmio em artes no início dos anos 2000, o que me motivou a seguir carreira e a enxergar as artes como profissão”. Para ela, a arte tem um papel decisivo na formação humana, ampliando o olhar crítico e a sensibilidade das pessoas, desde que o acesso a ela seja garantido na sociedade.
Jocatos e a ressignificação da matéria na arte com consciência ambiental
Com 46 anos de carreira, Jocatos é uma figura emblemática que atravessa gerações. Sua relação com as artes visuais começou na infância, quando seus pais guardavam as obras que ele criava para presentear familiares e amigos. “Só depois eles me mostraram esse acervo, e isso despertou ainda mais meu interesse pelas artes”, recorda o artista.
Formado em Design de Interiores e com especialização em Estudos Culturais da Amazônia pela UFPA, além de residência em gravura no Canadá, Jocatos desenvolve um trabalho crítico e autoral. Seu processo criativo inicia no pensamento, escolhendo a técnica mais adequada para expressar cada temática proposta por instituições que o convidam.
Uma das características marcantes de sua produção é o reaproveitamento de materiais descartados, contribuindo para a ressignificação e a reflexão ambiental. “Sempre resgato materiais poluentes do meio ambiente para dar nova vida e sentido às obras”, explica.
Jocatos mantém uma relação sólida com o Arte Pará, que considera fundamental para sua carreira e para a projeção em eventos nacionais e internacionais. Logo na terceira edição do evento, em 1984, recebeu um prêmio em gravura, consolidando seu nome na cena artística.
Arte Pará como espaço de circulação e valorização cultural
A trajetória e as obras de Danielle Fonseca e Jocatos são exemplos claros do papel do Arte Pará como um espaço vital para a cena cultural paraense. Ao promover a circulação artística, fomentar o diálogo entre linguagens e ampliar o acesso do público, a mostra reafirma seu compromisso com a cultura regional e nacional.
O evento de 2026, marcado para novembro no Museu de Arte do Estado do Pará, reforça esse legado, convidando artistas e espectadores a se envolverem em uma experiência sensorial e reflexiva. Com o apoio de leis de incentivo e parceiros culturais, o Arte Pará segue como um dos principais motores da arte contemporânea na região, promovendo encontros que estimulam o olhar crítico e a participação ativa da comunidade.
