Um Marco na Arte Contemporânea
A 42ª edição do Arte Pará representa um divisor de águas na sua trajetória. Com abertura agendada para o dia 5 de novembro, a edição de 2026 celebra os 80 anos do jornal O Liberal e marca o retorno ao seu formato tradicional de salão. Essa mudança reafirma a importância do evento como uma das principais plataformas de promoção da arte contemporânea produzida na Amazônia. À frente da curadoria está a artista e pesquisadora Keyla Sobral, que tem o desafio de reconfigurar o evento, mantendo a essência que o tornou relevante ao longo dos anos.
Keyla Sobral menciona que a proposta para esta edição é um “gesto de retomada e reconfiguração”. O objetivo é revitalizar uma dinâmica que sempre foi fundamental para o salão: a abertura a artistas em diversos estágios de carreira. Essa abordagem visa criar um espaço de encontro, visibilidade e reconhecimento. “Esse formato historicamente incentivou a participação e revelou artistas significativos para a arte na região”, destaca.
Experiência e Visão Coletiva
Keyla Sobral possui um currículo impressionante no cenário artístico, sendo doutora em artes pela Universidade Federal do Pará. Sua atuação como artista e curadora a levou a expor tanto no Brasil quanto no exterior, incluindo a relevante mostra “Adiar o fim do mundo” na FGV Arte, no Rio de Janeiro. Atualmente, ela também faz parte do conselho da Galeria da Universidade Federal do Pará, contribuindo para a curadoria de “Terra Incógnita, notas amazonianas”, em parceria com Orlando Maneschy e Paola Maués.
Com uma carreira consolidada, Sobral também é conhecida pela curadoria de projetos como “Delírio Tropical” na Pinacoteca do Ceará durante o Solar Fotofestival em 2024, que foi reconhecida como a melhor exposição coletiva do ano pela Select. A exposição seguirá sua itinerância com a próxima parada programada para o Sesc Pinheiros, em maio de 2026. Embora tenha participado da curadoria do Arte Pará em 2019, quando apresentou “Deslendário Amazônico”, seu novo convite para curar a edição de 2026 foi recebido com entusiasmo e um forte senso de responsabilidade.
A Importância do Arte Pará
“O Arte Pará é parte da minha trajetória. Já atuei como artista e fui premiada duas vezes. Contribuir novamente para um projeto tão significativo e duradouro é uma grande honra”, afirma Keyla. Apesar de sua trajetória pessoal e conquistas, a curadora opta por não centralizar o discurso em experiências individuais. Ela destaca a importância coletiva do Arte Pará e seu papel crucial na cena artística, especialmente no Norte do Brasil. “O evento já trouxe artistas relevantes para Belém e sempre funcionou como um incentivo importante, tanto para novos talentos quanto para os já estabelecidos”, ressalta.
Ainda que a curadora mantenha em sigilo os conceitos centrais que guiarão a mostra, ela revela que o retorno ao formato de salão representa uma mudança significativa em relação a edições anteriores. A proposta busca surpreender e gerar expectativa, tanto para artistas quanto para o público. “Os participantes serão anunciados apenas após o processo de seleção, que estará aberto a todos os interessados”, explica.
Um Olhar para o Futuro
Keyla também reforça que o público não deve perder essa edição do Arte Pará, especialmente por conta da ideia de surpresa. A lógica do salão intensifica esse suspense, já que a identificação dos artistas ocorrerá somente após a seleção. Essa abertura é vista como uma estratégia para aproximar o público. Ao incentivar a inscrição de artistas de diferentes gerações e experiências, o salão reacende o interesse coletivo e reitera seu caráter democrático. A expectativa é que a edição de 2026 mobilize tanto novos talentos quanto artistas renomados, revivendo o espírito competitivo e celebratório que sempre marcou a essência do evento.
Mais do que antecipar destaques, Keyla destaca a experiência que deseja proporcionar. A intenção é explorar a potência do conjunto, a diversidade de propostas e a capacidade de revelar novas vertentes. “Espero que o público encontre um Arte Pará vibrante, repleto de projetos inovadores e uma forte presença da contemporaneidade”, afirma.
Trajetória e Relevância
Ao retomar suas origens sem abrir mão da inovação, Keyla Sobral enfatiza que o Arte Pará 2026 se reposiciona como um espaço essencial para a arte brasileira, especialmente no contexto amazônico. Entre tradição e reinvenção, o salão reafirma sua importância ao oferecer não apenas uma vitrine, mas um campo de disputa simbólica e reflexão crítica sobre o presente.
Fundado em 1982 pela Fundação Romulo Maiorana, o Salão Arte Pará se consolidou como uma das principais vitrines das artes visuais na Amazônia. Realizado em Belém, o evento surgiu com o objetivo de incentivar a produção artística regional e promover o intercâmbio cultural com artistas de outras partes do Brasil.
Com o passar das décadas, o Salão acompanhou as transformações estéticas e conceituais da arte contemporânea, expandindo suas linguagens e suportes, como pintura, escultura, fotografia, instalação e novas mídias. A iniciativa também se destacou pela concessão de prêmios e formação de acervo, contribuindo para valorizar e difundir a produção artística amazônica.
Além de revelar novos talentos, o Salão Arte Pará tornou-se um espaço de consagração para artistas já reconhecidos, fortalecendo o circuito cultural local e nacional. Com exposições em importantes espaços culturais da capital paraense, o evento reafirma seu papel como uma plataforma de visibilidade e reflexão sobre a arte produzida na região.
