Reabertura do Museu das Amazônias em Belém
O Museu das Amazônias, localizado no Complexo Porto Futuro, em Belém, reabriu suas portas após sete meses fechado, trazendo ao público duas exposições gratuitas que destacam a riqueza cultural e ambiental da região. Inaugurado em outubro do ano passado, o espaço integra o legado cultural da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima realizada na capital paraense.
“Amazônias no Plural”: um mergulho na diversidade
A exposição permanente “Amazônias no Plural” ocupa o térreo do museu e leva o visitante a uma viagem pelo território amazônico. O percurso é inspirado no corpo sinuoso de uma serpente, dividido em seis ambientes que narram o surgimento da região e a conexão entre passado, presente e futuro. Entre as obras, destaca-se a instalação “Diversidade como Essência”, da artista visual Roberta Carvalho, que propõe uma experiência imersiva de 360 graus. Projeções nas paredes e no piso, junto a um móvel de Miritim, contam a história da diversidade amazônica desde a formação do território até a pluralidade de espécies e povos que o habitam.
Joice Ferreira, uma das curadoras da mostra, ressalta o processo colaborativo que orientou a construção da narrativa. “Realizamos uma escuta ampla com organizações e representantes de diversos países amazônicos, não apenas do Brasil, para identificar quais histórias deveriam ser contadas e qual perspectiva o museu deveria adotar. Esse diálogo foi fundamental para apresentar um olhar autêntico sobre a Amazônia”, explica.
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Conexão com a ancestralidade e o meio ambiente
O artista marajoara Ronaldo Guedes contribui com um painel que dialoga com a memória e a ancestralidade da cerâmica da Ilha do Marajó, no Pará. Sua obra traz elementos da cosmologia indígena, como a cobra-canoa, que simboliza a distribuição da argila às comunidades para a produção cerâmica. Ronaldo dedica a peça a todos os ceramistas que o antecederam, reforçando a importância da tradição e da continuidade cultural.
Além da exposição de longa duração, o museu apresenta também a mostra temporária “Água, Pantanal, Fogo”, com fotografias de Lalo de Almeida e Luciano Candisani. As imagens denunciam a crise climática no Pantanal, trazendo um contraponto entre a vitalidade do ambiente subaquático e os incêndios criminosos que assolam a região. O curador Eder Chiodetto destaca a potência dessas imagens para despertar a consciência ambiental do público.
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Visitação e acesso
O Museu das Amazônias está aberto de quinta-feira a terça-feira, das 10h às 18h, com entrada gratuita. A programação reforça o compromisso do espaço em aproximar a população da cultura local e dos desafios ambientais que marcam a região amazônica.
