Investigação Aponta Para Agressões Com Arma de Choque por Estudantes em Belém
Em um episódio que choca a sociedade, o laudo da arma de choque utilizada em um ataque a um morador em situação de rua, em Belém, foi concluído pelos peritos. Os eventos ocorreram no dia 13 de abril e foram gravados, evidenciando a brutalidade da ação, onde os jovens Altemar Sarmento Filho e Antônio Coelho foram identificados como protagonistas. Altemar, apontado como o responsável por aplicar os choques, e Antônio, que documentou a cena em vídeo, riam enquanto agressões aconteciam.
A Polícia Científica, em nota, comunicou que o laudo foi enviado à Polícia Civil. Contudo, ressaltou que ainda não recebeu os celulares dos suspeitos para a devida análise. O caso gerou repercussão significativa e levantou discussões sobre a violência contra pessoas em situação de vulnerabilidade.
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) afirmou que acompanha de perto a situação e denunciou que casos de violência extrema, como este ocorrido na capital paraense, são reflexos de problemas estruturais profundos, como a aporofobia. Essa forma de discriminação atinge pessoas em situação de pobreza, evidenciando a necessidade de uma abordagem mais humana e efetiva frente a essas realidades.
Após a divulgação dos vídeos, que mostram Altemar usando o taser nas costas do morador de rua, a indignação tomou conta da população. As imagens foram registradas em duas ocasiões distintas nas proximidades da universidade em que os jovens estudam, intensificando a discussão sobre o ambiente acadêmico e a responsabilidade social.
Em resposta ao incidente, o Centro Universitário do Pará (Cesupa) informou que os alunos foram afastados cautelarmente e que um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) foi instaurado para apurar os fatos. A instituição formou uma comissão interna para investigar o ocorrido e notificou os alunos envolvidos no caso.
O Contexto da Violência e as Consequências
Investigadores revelaram que Altemar Sarmento e Antônio Coelho não foram estranhos à prática de violência. De acordo com relatos, Altemar frequentemente desafiava colegas com o taser, instigando brigas e desafiando-os a levar um choque por uma quantia em dinheiro. Essa normalização da violência entre jovens estudantes levanta sérias preocupações sobre a cultura violenta que pode estar enraizada nas instituições de ensino.
O ataque só veio à tona porque dois entregadores de aplicativo testemunharam o ato violento. Eles seguiram os agressores até a universidade, onde a situação se agravou. Ambos, Altemar e Antônio, prestaram depoimento no dia seguinte, acompanhados por advogados, e foram liberados após um curto período de tempo.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também se manifestou, publicando uma nota de repúdio em que destaca a questão racial envolvida no caso. A OAB-PA afirmou que a violência contra pessoas em situação de rua é frequentemente desumanizada, especialmente em relação às populações negras. A instituição exige uma investigação rigorosa e responsabilização dos envolvidos, ressaltando que essa situação não deve ser tratada como um fato isolado.
A Polícia Civil, por sua vez, informou que registrou um boletim de ocorrência e instaurou um inquérito para averiguar as circunstâncias do ataque. O dispositivo de choque foi apreendido como parte da investigação, que busca esclarecer todos os aspectos do caso.
Segundo relatos de moradores da área, a violência contra o mesmo morador de rua não era um fato isolado e já vinha acontecendo há algum tempo, mas só ganhou notoriedade após o incidente em frente à universidade. Essa situação revela um quadro preocupante, que demanda atenção e ação por parte de autoridades e sociedade para prevenir futuras ocorrências e promover a dignidade humana.
