Descontentamento com o Atendimento na Saúde Pública
A Unidade Básica de Saúde do Satélite, localizada no bairro Coqueiro em Belém, se tornou alvo de novas críticas de usuários insatisfeitos com os serviços oferecidos. Pacientes relatam dificuldades em agendar consultas, a ausência de medicamentos e problemas estruturais na unidade. Essa situação tem gerado uma rotina de filas extensas, longas esperas e casos de pessoas que saem sem receber o atendimento desejado, seja médico, exames ou serviços odontológicos.
Na manhã desta quinta-feira (7), a autônoma Emanuelle Fernandes da Silva, de 25 anos, compartilhou sua experiência ao tentar utilizar os serviços da unidade. Segundo ela, a alta demanda por atendimento e a falta de estrutura têm dificultado o processo. “Sim, vim aqui várias vezes. A gente volta porque não tem atendimento, ou então está muito lotado. Muita gente na frente”, desabafou. Emanuelle ainda mencionou que frequentemente encontra a farmácia vazia e a sala de vacina em reforma, causando transtornos, especialmente quando leva sua filha de 5 anos para consultas odontológicas. “A moça do consultório disse que a cadeira da dentista está com problema, então vamos ter que remarcar”, relatou.
Além dos gastos de transporte, que somaram R$ 20 a sua conta, Emanuelle fez um apelo às autoridades para melhorar a situação: “É muito ruim a gente chegar e depois voltar, só dinheiro gasto. A gente pede uma melhora aqui”, concluiu.
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Busca por Alternativas Diante das Dificuldades
A autônoma também expressou a preocupação de ter que recorrer a consultas particulares para garantir o atendimento adequado para sua filha, uma vez que não pode esperar: “O problema é que só tem aqui (atendimento odontológico). Se não conseguir, eu pago um particular para ela, porque não vou ficar esperando”, destacou. A situação se agrava ainda mais com as dificuldades para conseguir exames, que podem levar meses para serem agendados, o que a leva a considerar novas alternativas.
George Dias, mototaxista de 54 anos, igualmente criticou a condição da unidade de saúde. Ele relatou que a dificuldade em obter atendimento é algo comum entre os pacientes que transporta. “É uma calamidade. Quando precisamos de uma consulta, quase nunca conseguimos”, disse, mencionando que muitos de seus clientes retornam logo após serem deixados. George enfatizou a necessidade de uma maior atenção do governo para resolver os problemas no setor da saúde, uma vez que muitas famílias não têm como pagar por atendimento particular.
“O apelo que a gente faz já não é novidade. O poder público precisa olhar com mais carinho para a saúde, porque a vida não espera. Não temos dinheiro para pagar um particular. Se tivéssemos, não estaríamos nessa condição”, afirmou, ressaltando que até os profissionais da unidade enfrentam dificuldades para oferecer um bom serviço.
Resposta da Gerência da Unidade
Em resposta às reclamações, a gerente da unidade, Nádia Costa, afirmou que todos os pacientes são acolhidos e atendidos pela equipe de saúde. Ela admitiu que de fato houve um problema na cadeira odontológica que resultou no cancelamento de alguns atendimentos, mas garantiu que a situação já foi encaminhada para resolução. “Tomamos todas as providências necessárias”, declarou.
Sobre a questão da falta de atendimento, Nádia Costa destacou que os pacientes passam por uma triagem inicial realizada por enfermeiros que determinam a prioridade do atendimento. “Ninguém fica sem atendimento. Temos uma equipe dedicada para resolver as necessidades dos pacientes”, assegurou.
Além disso, ela mencionou que a unidade está sempre em busca de melhorias na estrutura física e na oferta de serviços, ressaltando a importância do atendimento odontológico na região. “Fazemos serviços de curativo, vacinas e temos uma rotina de atendimento diária”, destacou.
Denúncias Mais Amplas na Saúde Pública de Belém
As dificuldades enfrentadas na Unidade Básica de Saúde do Satélite não são casos isolados. No início de maio, uma reportagem do O Liberal destacou problemas semelhantes na Unidade Básica de Saúde do Tapanã I, onde os usuários relataram falta de vacinas, demora no atendimento e ausência de médicos. A situação tem desencadeado um ciclo de reclamações que evidencia a pressão crescente sobre a saúde pública em Belém.
Recentemente, o Hospital Pio XII também enfrentou restrições em sua capacidade de atendimento pediátrico devido a problemas financeiros, o que resultou em uma significativa redução no número de leitos e atrasos no pagamento de funcionários. Tais eventos evidenciam os desafios que a saúde pública no município enfrenta, levantando questões sobre a necessidade de reformas estruturais e uma gestão mais eficiente.
