Festival reforça tradição do cinema francês em Belém
A tradição da escola francesa de cinema não é novidade para quem acompanha o universo das artes audiovisuais. Considerada uma das mais influentes do mundo, ela remonta aos Irmãos Lumière, que em 28 de dezembro de 1895 realizaram a primeira exibição pública paga do cinematógrafo em Paris, revolucionando a forma de registrar e projetar imagens em movimento. Agora, essa história chega a Belém a partir do dia 29, com a abertura da 17ª edição do festival de cinema Francês do Brasil. A capital paraense se une a mais de 50 cidades brasileiras que receberão o evento, que segue até 11 de novembro, com sessões no Cine Libero Luxardo, do Centur, e no Moviecom, localizado na travessa Padre Eutíquio, 1078.
A programação do festival inclui 21 filmes, entre 19 inéditos e recentes e dois clássicos da cinematografia francesa. Entre as produções selecionadas, estão obras que já passaram por importantes festivais internacionais, como Cannes, Veneza, Locarno e l’Alpe d’Huez, garantindo uma diversidade que atende a diferentes públicos e interesses. O evento é conhecido por reunir filmes que conquistaram prêmios e também o público, consolidando-se como o principal espaço dedicado ao cinema francês no Brasil.
Clássicos e novidades que marcam a programação
Um dos destaques do festival é a exibição do clássico “A Grande Escapada/La Grande Vadrouille”, dirigido por Gérard Oury. Lançado em 1966, o filme celebra 60 anos e retrata, com humor e leveza, a história de dois civis franceses que auxiliam pilotos britânicos a escapar da ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Com mais de 17 milhões de espectadores na França e um alcance global de mais de 60 milhões, a comédia é um marco da cinematografia francesa e continua sendo apreciada por novas gerações.
Outro clássico presente na programação é a animação “O Rei e o Pássaro/Le Roi et L’Oiseau”, de Paul Grimault, que comemora 80 anos. Inspirado no conto “A Pastora e o Limpador de Chaminés”, de Hans Christian Andersen, o filme nasceu da parceria entre Grimault e o poeta Jacques Prévert em 1946. Reconhecida por sua poesia, humor e reflexões filosóficas, a animação já foi vista por mais de 2,3 milhões de espectadores desde seu lançamento. Além disso, integra a programação educativa do festival, que promove sessões para estudantes da rede pública, fortalecendo o acesso cultural.
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Temas contemporâneos e debates no festival
Dentro da diversidade de temas, o festival traz também produções que dialogam com questões atuais e políticas. O díptico “De Gaulle: A França Livre”, de Antonin Baudry, é um dos destaques que reforça a importância da luta pela liberdade diante das violências políticas, tema que ressoa globalmente nos dias atuais. Essa obra já ultrapassou a marca de cinco milhões de espectadores na França, segundo a curadora e diretora Emannuelle Boudier.
O curador Christian Boudier destaca o papel do cinema em abrir perspectivas e provocar reflexões sobre os desafios cotidianos, especialmente em tempos de crise política e moral. Essa abordagem reforça o compromisso do festival em oferecer um espaço para debates que ultrapassam a tela, ampliando o alcance e o impacto cultural.
Iniciativas de formação e roteiro no Rio de Janeiro
Além das sessões em Belém e outras cidades, o festival promove, entre os dias 26 e 30 deste mês, no Rio de Janeiro, o LAB Franco-Brasileiro de Roteiros. O encontro reúne 15 profissionais selecionados de diferentes estados para discutir projetos de séries e longas-metragens com professores franceses. Essa iniciativa é fruto da parceria com o Conservatório Europeu de Escrita Audiovisual (CEEA), referência na formação de roteiristas na França, e o Projeto Paradiso, reforçando a troca cultural e a formação artística entre os países.
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Programação completa do festival em Belém
Entre os títulos que integram a programação do 17º Festival de Cinema Francês do Brasil estão:
- “A Grande Escapada/La Grande Vadrouille”, de Gérard Oury
- “O Rei e o Pássaro/Le Roi et L’Oiseau”, de Paul Grimault
- “De Gaulle: A França Livre/ La Bataille De Gaulle” (Partes I e II), de Antonin Baudry
- “O Beijo Elétrico/La Vénus électrique”, de Pierre Salvadori
- “O Sentido da Vida/Soudain”, de Ryūsuke Hamaguchi
- “Júpiter/Jupiter”, de Alexandre Smia
- “A Ilustre Desconhecida/Ni vue ni connue”, de Marc Fitoussi
- “O Que é o Amor?/C’est quoi l’amour?”, de Fabien Gorgeart
- “Compostela, o Caminho da Terapia/Compostelle”, de Yann Samuell
- “Minha vida de sereia/Miss Mermaid”, das diretoras Pauline Brunner e Marion Verlé
- “Bem-vindos à La Comédie-Française/De la Comédie-Française”, comédia de Martin Darondeau e Bertrand Usclat
- “Uma Menina de Ouro/Une fille en or”, de Jean-Luc Gaget
- “A Casa das Mulheres/La maison des femmes”, de Mélisa Godet
- “O Canto da Floresta/Le Chant des Forêts”, de Vincent Munier
- “A Busca de Charlie/Les matins merveilleux”, de Avril Besson
- “Sem Piedade/Sans Pitié”, de Julien Hosmalin
- “Duas Pessoas Trocando Saliva/Deux personnes échangeant de la salive”, de Natalie Musteata e Alexandre Singh
- “Victor, como Hugo/Victor comme tout le monde”, de Pascal Bonitzer
- “Molière, Cyrano e o Pequeno Rei/Les caprices de l’enfant roi”, de Michel Leclerc
- “O Fantasma da Ópera/ Le Fantôme de l’Opéra”, de Alexandre Castagnetti
O festival oferece uma oportunidade única para o público de Belém acessar a riqueza da cinematografia francesa, que atravessa tempos e estilos, unindo clássicos atemporais e produções contemporâneas. A programação contempla diferentes gêneros e temáticas, garantindo um panorama abrangente e estimulante para quem busca novas experiências culturais.
As sessões no Cine Libero Luxardo e no Moviecom prometem movimentar a cena cultural da cidade, reforçando o papel do cinema como elemento vital na circulação artística e no debate cultural. A programação completa está disponível para consulta, facilitando o acesso e a participação do público local.
