Transformação no consumo em restaurantes de Belém
O uso crescente das chamadas canetas emagrecedoras tem provocado uma transformação perceptível no setor de alimentação fora do lar em Belém. Donos de estabelecimentos e especialistas locais relatam que os clientes passaram a optar por porções menores e refeições mais leves, o que obriga os restaurantes a reformularem seus cardápios para atender essa nova demanda.
Essa mudança é respaldada por dados nacionais do setor. Uma pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) indica que 61% dos empresários perceberam alteração no comportamento dos consumidores relacionada ao uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro. Além disso, 64% dos donos de estabelecimentos notaram o aumento dos pedidos por miniporções, enquanto mais de 70% constataram maior preferência por pratos leves.
Adaptação dos restaurantes para o novo perfil de clientes
No restaurante Engenho Cozinha Brasileira, em Belém, o gerente-geral Mateus Ribeiro observa um crescimento de cerca de 15% na procura por pratos mais leves, com destaque para combinações que priorizam proteínas brancas e saladas. “Os clientes chegam pedindo pratos com mais salada e menos proteína. Esse comportamento tem se intensificado nos últimos três meses, refletindo uma mudança clara no perfil de consumo”, explica Ribeiro.
Para atender a esse público que busca comer menos, o restaurante passou a oferecer opções como o “Filhote Fitness”, um prato preparado com molho de maracujá e gengibre, acompanhado de legumes. Segundo o gerente, a intenção não é alterar a identidade da casa, mas ampliar as alternativas para acompanhar a nova demanda. Atualmente, esse grupo representa cerca de 5% dos clientes do estabelecimento.
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Porções reduzidas e nova estratégia para evitar desperdícios
Com a redução do apetite dos consumidores, muitos restaurantes em Belém começaram a criar versões menores de seus pratos tradicionais para evitar perdas e manter a clientela. O empresário Maurício Façanha, fundador do grupo Ver-o-Açaí, relata que a rede lançou porções reduzidas, chamadas “gitita”, inspiradas no público bariátrico, além de oferecer pratos como o filhote de forno com purê de macaxeira.
Façanha também destaca a mudança no consumo de bebidas alcoólicas. Ele decidiu encerrar as atividades de uma cervejaria na Batista Campos para abrir uma nova unidade focada em alimentação, acompanhando a tendência de queda no consumo de álcool que observa nos últimos dois anos. “Percebemos que o mercado estava mudando e optamos por investir em um modelo mais alinhado com essa transformação”, afirma o empresário.
Riscos nutricionais e orientações para quem usa medicamentos emagrecedores
A nutricionista Laís Santana, do Engenho Cozinha Brasileira, alerta para os efeitos colaterais comuns entre os usuários desses medicamentos, como a saciedade precoce e o enjoo, que acabam reduzindo significativamente o consumo alimentar. “Esses remédios atuam sobre hormônios ligados à fome e aumentam a sensibilidade a cheiros e alimentos gordurosos, fazendo com que as pessoas sintam náuseas diante de frituras e comidas pesadas”, explica.
Ela ressalta que a perda rápida de peso pode afetar tanto a gordura quanto a massa muscular, o que exige uma alimentação focada em proteínas e alimentos ricos em micronutrientes. A substituição de carboidratos simples por integrais também contribui para uma digestão mais equilibrada. “Sem acompanhamento nutricional, há risco de perda de massa muscular e deficiências vitamínicas”, alerta a especialista.
Além disso, Laís destaca que as bebidas sem álcool, como mocktails e blends de frutas, ganharam espaço como alternativa para quem deseja manter a vida social durante o tratamento sem consumir álcool. Essa oferta permite que o público continue participando de encontros sociais sem abrir mão do convívio.
Impactos nacionais refletidos no mercado local
Os dados da Abrasel apontam que 61% dos empresários notaram mudança no comportamento dos clientes, 70% registraram maior preferência por pratos leves, e 64% observaram aumento nas miniporções. Além disso, 65% constataram alteração nos pedidos de bebidas alcoólicas e 53% perceberam crescimento na procura por bebidas sem álcool.
Embora o levantamento nacional mostre essas tendências, a representação da Abrasel no Pará não respondeu até o fechamento desta reportagem para confirmar se a realidade local acompanha os números nacionais.
Essa transformação no comportamento do consumidor impacta diretamente a economia local, forçando restaurantes a ajustarem seus negócios para garantir competitividade e evitar desperdícios, além de influenciar o mercado de fornecedores e a dinâmica do setor de alimentação fora do lar na capital paraense.
